Arquivo do autor:Rodrigo Leão

O andar do Bêbado

Estou lendo esse livro O Andar do Bêbado e me arrependendo muito de não ter tido um professor de matemática decente durante a  minha vida inteira. Fala de aleatoriedade e da importância que ela tem no decorrer e no desfecho de tudo em nossas vidas. No caminho conta a história do desenvolvimento dos estudo sde probabilidade e estatística. Sensacional.

Vamos pichar os pichadores

Eu e o meu amigo Pedro Inoue estamos preparando um movimento para invadir a próxima Bienal e pichar imagens figurativas à óleo sobre os tags horríveis e pichações caídas dos manés que sujaram a última bienal pra tentar entrar nessa e conseguiram. Alguém aí sabe desenhar?

Postado por Rodrigo Leão

Inclusão digital à paulista

Um bom turista deve sempre se desviar dos passeios pré-fabricados por operadoras de viagem e amigos descolados e seguir a trilha virgem de sua intuição pela senda que vai dar na memória inesquecível. Ou numa delegacia estrangeira. Aí varia. No meu caso, um turista local, a regra também se aplica.

Outro dia, andando pela Avenida Paulista, ali perto da Pamplona, vi uma galeria abarrotada de quiosques pequenos, com mais ou menos 2 metros quadrados. Algo me dizia para entrar. Talvez o intenso fluxo de pessoas com sacolinhas pretas e sorrisos carimbados na fuça que saiam de lá de dentro sem parar.

Resolvi entrar, mas antes olhei pra cima pra ver como se chamava o lugar. Aparentemente aquele estabelecimento aderira de tal forma à Lei da Cidade Limpa que não tinha placa na porta. Ele não se chamava. Os outros é que chamavam.

Dentro, as baias, contendo em média três imigrantes, dois nordestinos e um chinês, também não tinham identificação alguma, exceto por números desenhados, em caneta Pilot e por alguém sem talento nenhum pra desenhar, em placas brancas sobre cada uma delas. Andei dez passos na muvuca — os corredores estreitos e lotados, de um metro e meio de largura, tornando o passeio parecido com uma partida de rugby muito amistosa.

Foi quando uma senhora, de dentro de um quiosque, me oferece um relógio suíço Vacheron Constantin. “Ducentos e qualenta” ela dizia e apontava para o belo design do produto. Duzentos e quarenta não parecia um mau preço, considerando que a Vacheron Costantin é a marca criadora do legendário “Kalista” o relógio mais caro já fabricado (com valor estimado hoje em US$ 10 milhões). Um senhor gordinho do meu lado, vestindo uma camisa pólo vermelha estampada com um jogador de pólo quase em tamanho natural se interessou. Pediu pra ver na mão.

A vendedora não só deu o relógio na mão dele como começou a esfaqueá-lo com uma chave de fenda. O relógio, não o gordinho. “É safíla ó, é safíla ó,” dizia ela enquanto tentava riscar a safira do mostrador sem sucesso. Um modelo daqueles não sai por menos de R$ 40 mil reais no Shopping Iguatemi. O gordinho passou a examinar minuciosamente a peça. “É coisa boa?” indagava ele enquanto eu me afastava.

Nas próximas barraquinhas encontrei inúmeras ofertas de celulares com nomes tipo iPhome, iiPhone, iPhony e iThone. Haviam também câmeras digitais de boa qualidade pelo preço que normalmente se paga nos Estado Unidos. “Esse tem MP3?” Perguntava uma moça ao vendedor segurando um iPhony daqueles. “Esse é melhor, já tem MP3, MP4 e MP5,” respondia o vendedor. Degladiei minha passagem até o fim da galeria e acabei num corredor cheios de ofertas de videogames e produtos conexos.

Me interessei muito quando vi que os jogos do Wii, que custam uns duzentos pilas por aí, por lá custavam apenas R$ 8,00. Parecia um preço justo pra se pagar por um jogo, uma vez que meus filhos ainda não entenderam que apontar o controle na direção da TV é fundamental para jogar e preferem usar como clavas os ultramodernos controladores com sensor de movimento do game. Para eles, quem perde a corrida é o tal do Mario que não sabe dirigir o kart. Certamente aquele presente traria seis ou sete minutos de harmonia ao meu lar. Enquanto eu folheava o fichário gigante de jogos disponíveis pude observar o cartão com o nome da barraca: Inclusão Digital. Não poderia ser melhor.

Postado por Rodrigo Leão

P.S. – Esta foi minha última coluna para a  Revista Época S.Paulo. A partir de agora, para ler estas bobagens só aqui e no FB.

Casa Darwin procura de dupla de criação junior.

A Casa Darwin está procurando dupla de criação junior.

Precisamos de um redator e um dir. de arte das categorias de base, em dupla ou separados.

Quem souber de interessados peça pra mandar as pastas pra: pasta@casadarwin.com.br

Vamos olhar todas.

Postado por Rodrigo Leão

Blog do Dougy

Quem gosta de música, publicidade, design, rock ou do próprio Dougy não pode deixar de acessar.
Anda muito bom o blog do nosso amigo:
Blog do Dougy

A estatística da falta de amor

Uma recém publicada pesquisa de opinião* afirma que 57% dos paulistanos mudariam de cidade se tivessem oportunidade. E mesmo trabalhando como publicitário, e portanto tendo sido vacinado contra as “verdades” que aparecem em pesquisas de opinião, fiquei um pouco chocado.

Será que de cada 10 pessoas que eu vejo na fila do cinema 6 estão pensando em picar a mula? Essa é uma estatística muito constrangedora. Como um amigo que avisa a você que vai terminar com a namorada antes de avisar a ela. E você se pega jantando com eles, olhando pra ela com pesar e pensando “pode pedir o filé com alho, tonta, ele vai largar de você mesmo…”. Afinal, se toda essa gente está esperando a primeira oportunidade pra zarpar, que tipo de relação estaríamos construindo com a nossa cidade? E pior ainda, que tipo de cidade vai emergir deste tipo de relação?

O meu trabalho consiste basicamente em fazer você achar um sabonete mais legal do que o outro. E pode parecer estranho, mas o segredo não está no sabonete, mas em você. Afinal, sabonetes são objetos inanimados cujo valor só existe quando enxergado por alguém. O sabonete nunca vai valer nada. O que vale é a sua capacidade de enxergar valor nele. O trabalho do publicitário é abrir os seus olhos pra riqueza que já existe em você, riqueza essa que torna você capaz de criar valores como lealdade e fidelidade até mesmo com um sabonete. Ou seja, é da beleza que já existe em você que nasce a beleza das coisas ao seu redor. É da riqueza que você empresta que nasce a riqueza do mundo.

Com uma cidade a coisa não é diferente. É do amor que existe nos seus cidadãos que nascem os motivos para amá-la. Ano passado estive em Berlim, na Alemanha, onde me apaixonei pelas faixas exclusivas para ônibus, taxis e bicicletas! Quem mora em Berlim da valor a ecologia, a simplicidade e a sua própria saúde. E você percebe isso só de olhar pra cidade. A faixa de bicicletas reflete aquelas pessoas que se organizaram pra ter uma faixa de bicicletas. E o Rio de Janeiro então? Uma cidade com uma guerra urbana conflagrada mas que movida pela inquebrantável auto-estima de seus moradores conquista o direito de sediar a próxima Olimpíada. Os cariocas querem enxergar na cidade a beleza que um dia a cidade já teve mas que só restou dentro deles. E aos poucos estão conseguindo.

Agora, o que é que nós vamos conseguir se 57% das pessoas aqui acham que a saída para os problemas da cidade são Congonhas e Guarulhos? Despoluir o Tietê? Pra que, se as praias da Floripa imaginária que nos aguarda estão limpas? Melhorar o transporte público? Ora, o da Curitiba onírica pra onde vamos já funciona. Já sei! Desenvolver um esquema de segurança pública que funcione? Nããã…lá no condomínio em Indaiatuba pra onde a gente vai mudar não tem perigo nenhum. Nos envolver na educação de nossos filhos, cuidando nós mesmos das escolas públicas? Nada disso. Vamos todos pra Orlando vestindo orelhas de Mickey.

Uma vez eu vi uma palestra do Jaime Lerner, o urbanista e prefeito que pôs Curitiba no mapa. Ele começou pedindo pra que alguém da platéia desenhasse um mapa da cidade de São Paulo na lousa. Ninguém se ofereceu. Aí ele perguntou: “Como é que a gente pode amar alguma coisa, ou cuidar de alguma coisa, se a gente nem sabe como ela se parece?” E hoje eu pergunto: “Como é que a gente pode esperar algo de bom de uma cidade quando o que a maioria quer dela é apenas distância?

*Os dados fazem parte da pesquisa Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município (Irbem), feita pelo Ibope Inteligência e encomendada pela ONG Movimento Nossa São Paulo. A pesquisa, feita entre os dias 2 e 16 de dezembro, ouviu 1.512 pessoas com mais de 16 anos.

Postado por Rodrigo Leão

Casa Darwin vence concorrência da Puket

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