O melhor coreto pra se bagunçar.

Abaixo, minha mais recente coluna na Época São Paulo. Desta vez na edição “O Melhor de São Paulo.” Faz bem mais sentido quando tem a revista em volta.

Hoje eu vim aqui pra bagunçar o coreto desta edição da Época S. Paulo. Afinal, aqui você vai encontrar tudo que São Paulo tem de melhor. Se bobear, até o melhor coreto pra ser bagunçado. Que é o que eu pretendo fazer. Vai vendo.

A ideia de turismo local, que deu origem ao nome da coluna, é a de tentar viver o dia-a-dia com o coração e os olhos abertos daquele jeito que a gente só consegue quando está operando no modo turístico.

No modo normal, seu sistema operacional diz que você é um contador, publicitário, arquiteto, ou sei lá o que. No modo turístico você é um astronauta — vagando solto pelo universo do prazer. No modo normal você discute com a patroa qual é “o” melhor caminho até o shopping. No modo turístico vocês se perdem e descobrem um bistrôzinho inesquecível numa esquina esquecida de Paris. No modo normal tem um Blackberry na sua mão. No turístico, um drink colorido com um guarda-chuva bem pequenininho. No modo normal você está tentando otimizar o seu tempo. No turístico, aproveitar que o tempo está ótimo.

E é justamente o coreto da otimização que eu vim aqui pra bagunçar. A idéia tola de que a pizza Caprese do Bráz do vizinho é sempre melhor que a sua de endívias e queijo brie do I Vitelloni.

Porque, convenhamos: ninguém consegue resistir à curiosidade de visitar os lugares e seguir as dicas que tem nessa edição. Quem não tiver cometido este pecado que atire a primeira coxinha do Frangó ou bauru do Ponto Chique. Mas será que vale a pena passar o tempo todo perseguindo e tentando consumir somente o melhor isto ou o melhor aquilo?

A cultura de consumo propõe que somos representados e representantes daquilo que consumimos. Portanto eu não posso aceitar “qualquer” caldinho de feijão sob pena de me sentir apenas mais “um qualquer”. Começa então a rolar aquele sofrimento.

Como posso ser feliz comendo a décima sétima melhor coxinha de São Paulo quando, evidentemente, merecia estar degustando pelo menos uma das três melhores —no mínimo uma coxinha que chegou ao pódio? Eu não quero ser o Rubinho das coxinhas!

Ninguém quer. Mas como diria aquela piada de corno: isso é coisa que estão pondo na sua cabeça. Meu conselho é: aproveite o conhecimento valioso desta edição, mas não deixe ele atrapalhar sua felicidade.

Mês passado eu e a minha mulher completamos 13 anos juntos e resolvemos sair pra jantar no lugar do nosso primeiro encontro. Infelizmente a locação, o McDonald’s da Praça Vilaboim, ali em Higienópolis, não existe mais, portanto decidimos que um dos vários restaurantes e bares da praça serviria, o que se revelou uma boa ideia já que era domingo e não havia muitos lugares abertos.

Demos uma volta pela praça, avaliando os diversos bares e restaurantes disponíveis e tentando escolher qual seria o melhor para aquele momento. Ela me perguntou: “Qual você acha melhor?” Eu respondi: “Aquele que tiver a gente dentro.” Ela sorriu e jantamos maravilhosamente bem no único restaurante da praça que estava completamente vazio. Não poderia haver melhor lugar em São Paulo.

Postado por Rodrigo Leão

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3 Respostas para “O melhor coreto pra se bagunçar.

  1. há, duvido,
    lá não tem restaurane vazio, pelo menos não completamente (hhehehe)

  2. Que final romantico Rodrigo.

    bjos.

  3. Eu, no meu modo turístico, quero entrar na estrela da morte, hehehehehehe

    Tive em SP há umas 3 semanas atrás, nem deu pra falar, tava no meu “modo turístico”

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