Homem-barata contra o sapato voador

A grande pergunta desta semana é a seguinte: seria o jornalista iraquiano Muntador al-Zaidi, muito ruim de mira ou seria o Presidente americano George W. Bush ágil como um jovem lutador de boxe mexicano?

Quando resolveu arremessar seus sapatos na cara do americano, o repórter al-Zaidi certamente considerou as conseqüências de seu ato. Talvez isso tenha abalado a sua mira. Segundo seu irmão declarou à BBC, desde atentado (que nome se dá a um atentado com um sapato? Sapateado?) o repórter já teve as mãos e as costelas quebradas, está sofrendo hemorragia interna e teve um olho danificado pelas sistemáticas surras que está recebendo na prisão, que ninguém sabe onde fica, bem ao estilo George W. Bush. Mas, convenhamos, faltou frieza. Faltou a paradinha na marca do pênalti. Faltou a malícia do craque. Muntador al-Zaidi é o Roberto Baggio da sapatada. Quando errou a pontaria, lançou contra a parede as esperanças de todo o planeta.

Perdemos assim a chance da “grand finale” perfeita, o terceiro ato que fecharia o círculo do drama que foram estes 8 anos, o atentado perfeito — à altura da dignidade que Bush emprestou ao cargo eletivo mais importante do mundo: a de uma barata.

Mas examinemos a segunda hipótese: a de que Bush, como as baratas, é realmente um ser extraordinário, um habilidoso sobrevivente, capaz de fintar qualquer ataque seja com sapato, tamanco ou inseticida em spray. Nesse caso, foi ingenuidade do repórter iraquiano imaginar acertaria um picareta cresceu se esquivando dos estudos e da lei (quando era um cheirador bêbado), que se esquivou do alistamento obrigatório quando fugiu da Guerra do Vietnam e da recontagem auditada de votos na curiosa eleição de 2000. Ora, se tem uma coisa, a única coisa que G. W. Bush sabe fazer direito na vida é se esquivar.

Como Oscar de la Hoya, que poderia ter fechado sua carreira no boxe com chave de ouro, Muntador al-Zaidi deixa o ringue como um perdedor por ter subestimado seu adversário.

Sabemos todos que só uma condenação na corte internacional para criminosos de guerra poderia fazer justiça à Bush. Mas sabemos também que isso não vai acontecer nunca com um presidente americano. Porém, agora que Muntador al-Zaidi deu o exemplo, não seria nada mal se por todos os lugares que passasse, pelo resto de sua vida na terra, George Walker Bush, fosse recebido sempre com sapatadas. Sapatos de todos os tipos, tamanhos e formas sempre voando em sua direção sem nunca dar-lhe um segundo sequer de paz. O destino perfeito para essa barata que foi longe demais.

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5 Respostas para “Homem-barata contra o sapato voador

  1. O título poderia ser: Acerte a Boca do Palhaço.

    Mas o repórter não levou o brinde, porque errou!

  2. Uma barata Kafkaniana hehe.
    Uma baratona inútil que sobrevive a muitos ataques nucleares por sinal.

  3. Prefiro citar o nosso presidente, antes de uma entrevista coletiva.

    “Gente, por favor, ninguém tira o sapato. A gente vai perceber antes de jogar por causa do chulé.”

  4. Pelo comentário acima, percebo que esse negócio de ironia é genético….

    Mas, a verdade mesmo, é que o W de George W. Bush não quer dizer Walker, mas, sim Wonka…
    Vocês não fragraram que o que ele queria é (era) um mundo de chocolate?

  5. Aloha!

    Pois é, deveria ter treinado um pouco antes de ter tacado. Experiência de alguém que tacou um copo d’água em um programa de tv…

    Aloha!

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