Nunca empreste dinheiro pra gente rica

Antes de o Lula ser eleito Presidente da República pela primeira vez meu pai e eu quebramos o maior pau. Meu pai tinha certeza que o Lula ia dar o calote na dívida externa, declarar moratória e mandar todas as vacas da economia brasileira pro brejo. Eu dizia pra ele que ele estava enganado pois estava ignorando dois princípios básicos da psicologia humana. Um: pobre paga as contas e teme a lei. Dois: rico dá calote, pica a mula e o governo, sustentado com o imposto dos pobres, paga a conta.

Meu pai dizia que o satânico Partido dos Trabalhadores iria instaurar uma revolução comunista e atrasar o Brasil 20 anos. Eu dizia só um ricão como o Collor de Mello seria capaz de um confisco. Só o avô dos  herdeiros do Banco Nacional teria feito o PROER, de 1995, para salvar os bancos. Ora, se as padarias podem quebrar, os banco também podem. Isso não é comunismo, é capitalismo.

Lembrei disso lendo sobre o caso do Sr. Richard Fuld, ex-CEO do banco Lehman Brothers que quebrou semana passada e provocou todo o bafafá que quase levou o mercado financeiro mundial ao colapso. Nos seus 14 anos a frente do banco o picareta Sr. Fuld ganhou uns US$ 500 milhões. É isso mesmo. Meio bilhão de dólares pro mané que em 14 anos quebrou um banco com 158 anos de existência. Richard, como todos seus amigos de moral distraída de Wall Street, negociavam títulos obviamente podres como se fossem ótimos e agora querem que o contribuinte americano pague a conta da festinha. A bufunfa deles, é claro, já está garantido nos paraísos fiscais.

Enquanto isso, gente como Muhammad Yanus, do Grameen Bank (Banco da Vila) de Bangladesh, vencedor — junto com o seu banco —do Prêmio Nobel da Paz de 2006, continua provando ao mundo que emprestar um pouquinho de dinheiro para gente muito pobre, cobrando juros razoáveis, pode mudar dramaticamente a vida dessas pessoas e ainda ser um modelo de negócios rentável. Mulheres são 94% dos agraciados com empréstimos do Grameen e para garantir os pagamentos o banco empresta dinheiro em esquema de solidariedade onde várias mulheres entram juntas com o pedido de empréstimo e pressionam umas as outras pelo cumprimento dos pagamentos. Funcionando desde 1983, o banco já emprestou US$ 6.38 bilhões para 7,4 milhões de pessoas.

Uma regra de três simples mostra  que os US$ 700 bilhões que o governo americano vai dar pra gente como Richard Fuld poderiam ajudar 700 milhões de pessoas pelo esquema do Grameen Bank. O que parece mais justo?

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3 Respostas para “Nunca empreste dinheiro pra gente rica

  1. Simplesmente deplorável seu artigo dessa quinta-feira. São mentes anacrônicas assim, produtoras de raciocínios retrógrados como o que expôs na coluna, que atrasam a América Latina e a condenam a ser eternamente o ‘continente esquecido’ e o ‘cemitério das idéias’. O incrível é que essa gente até faz faculdade, consegue bons empregos, tem acesso à boa informação, mas não perde a sanha populista! Quanta inconseqüência em generalizar, dizendo que ‘pobre paga a conta e teme a lei e rico dá calote’! (Isso é uma regra?)Quanta ignorância falar que ‘só o avô dos herdeiros do Banco Nacional teria feito o Proer’! Caso não saiba, o presidente “pobre” que você elegeu elogiou recentemente o Proer e até insinuou que, caso Bush queira, podemos mandar essa nossa ‘tecnologia’. Certamente Lula não seria capaz de reunir esforços para criar um programa de tamanha complexidade; mesmo assim, até ele (até ele!) hoje em dia é capaz de exaltar a importância do Proer, que tanto combateu à época de seu lançamento. Mas Rodrigo Leão não! Rodrigo é daqueles jornalistas que está com pompons na mão, ensaiando a coreografia para agradar o governo petista. Só precisa sincronizar seu discurso com o partido, porque você parece não ter reparado, mas seu discurso está defasado em relação até ao PT.
    Com relação a seu pai, ele estava e está completamente certo em desconfiar dessa gente que faz parte da organização criminosa PT. Mensaleiros, aloprados, com cuecas cheias de dólares… Alguma dúvida de que o PT tem sim um pezinho no terreiro? Os pompons não te deixam enxergar direito? Lula só não fez as coisas que seu pai disse porque não pôde, e não porque não quis. Se ele tivesse sido eleito em 1994, antes do fortalecimento das instituições promovido por FHC, você estaria vivendo em um país parecido com a Bolívia, Rodrigo. E não existiria Metro São Paulo pra você escrever suas tolices. Seu pai deve sentir muita vergonha de você.

  2. Ao contrário do André aqui de cima, eu concordo com você, não porque eu esteja puxando seu saco, até confesso que tive um pouco de medo quando o Lula foi eleito na primeira eleição que eu tive o direito, que mais parece dever nesse país, de votar.
    Mas, na sua reeleição fui, todo confiante e pomposo, pois sabia, que entre ele e o Alckmin, não tínhamos muita opção e ele era e, ainda é, o melhor.
    Por um motivo muito simples, seu André, Luiz Inácio Lula da Silva foi o homem que pôs comida na mesa de 77% por cento da população brasileira, que em eras passadas, nem sonhava com isso. Se o senhor quiser entender o que o “jornalista” Rodrigo Leão tá querendo dizer, aconselho-te a dar uma passadinha nas Casas Bahia mais próxima da sua casa e, pergunta pra eles lá pra quem eles costumam dar crédito.
    O Lula pode ter errado nas suas amizades e, na sua maneira de conduzir suas políticas, mas, ficará conhecido como o Presidente que pagou a dívida pública brasileira e, alimentou os brasileiros.
    Sem mais para o momento, até.
    Thiago Carvalho

    E, olha que eu nem sou tão fã do PT assim hein…

  3. Olá, pessoal e grande Rodrigo.
    Acho que ainda está longe o dia de fazer alguma crítica a sua coluna. Seus textos são demais, e não é, como disse o Thiago, puxa-saquismo.
    O país melhorou. Já estamos colhendo os frutos de investimento em diversificação de renda, em investimentos na educação, no ProUni e tal. Se há escandâlos, mas claro que há. Porém, não estão às escuras. Cada um deles é divulgado amplamente pela imprensa e mídia. Se acabam em pizza, já são outros quinhentos. Não sou tão adepto de algumas posições que nosso amado presidente tem. Eu o ajudei a ser eleito em 2002, porém me arrependi, e no ano passado votei no Alckmin. Indiferentemente, de quem estivesse lá hoje o Brasil estaria na mesma. E o que acontece nos EUA, não é nada mais que o esperado. Todo grande império, mais ou menos tarde, rui. E com o Tio Sam não será diferente. Talvez estejamos passando por algum periodo histórico na humanidade e só nos daremos conta daqui a algum tempo. Quem sabe esse nosso modelo progressista de Capistalismo estejam no final dos seus dias? Só a história dirá!
    Abraço.

    P.S. Meu caro, André. Não precisa ser “jornalista”, o que o Leão não é, pra se escrever porcarias, muito menos pra se escrever um blog tão bem…

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