Pela proibição imediata da propaganda política eleitoral.

As chances de um prefeito acabar com a violência urbana, o trânsito e a miséria em São Paulo nos próximos quatro anos são as mesmas de um papagaio caolho e perneta construir sozinho um ônibus espacial. No entanto, todos os candidatos a prefeitura gastam os tubos para prometer em suas propagandas políticas as soluções para problemas insolucionáveis. Problemas que só serão solucionados quando nós paulistanos assumirmos nossas responsabilidades e fizermos em conjunto alguma coisa para resolvê-los. Então, pra que propaganda eleitoral? Pra ficar ouvindo que a Marta é contra a violência na periferia? Ué, mas quem é a favor? Que o Alkimin é contra a desigualdade da distribuição de renda? Ao contrário de quem? E que o Kassab é o homem da cidade limpa. Desculpe, mas cidade limpa é Cingapura. São Paulo é uma imundice que não tem mais outdoors.

A carreira de um político de baseia em tentar levar a fama pelas mudanças provocadas pelas pressões da sociedade organizada. O emprego do político é representar os interesses financeiros ou corporativos daqueles que o elegeram. Um rosto pra decorar a cédula em lugar de grandes construtoras ou do lobby dos sindicatos. O resto é só conversa fiada pra enganar as velhinhas e os pobres iletrados. O problema é que essa conversa fiada custa uma nota pra nós que temos o triste hábito de trabalhar honestamente pra sobreviver.

A propaganda política é uma perversão doentia em que profissionais de propaganda de moral distraída cobram caro hoje para ganhar as concorrências governamentais fajutas de amanhã. Basta você comparar a lista das agências que tem contas de governo com a lista das agências que tem as maiores contas das empresas mais competitivas e lucrativas do mercado. A propaganda política, que só serve pra confundir e enganar você é paga com o seu próprio dinheiro, depois da eleição. Hum…que cheiro é esse? Parece queijo camambert…mas não é.

O prefeito de São Paulo é uma figura muito importante na sua vida e na minha. Tanto quanto um bom médico, não? Você acha que seria inteligente escolher o seu médico pela propaganda? “Dr. Zerbini. Cardiologista. O velhinho do coração.” “Dr. Jairo. Urologista. O seu negócio em boas mão.” “Dr. Raul. Oncologista. Nem parece câncer.” “Dr. Aníbal. Cirurgia Plástica. Grande promoção: na compra de duas próteses de silicone leve uma terceira grátis.”

Ao contrário de muitos publicitários eu não acredito que a propaganda seja sempre uma coisa boa. Acho excelente que tenham banido a propaganda de cigarros. E espero que a propaganda política tenha o mesmo fim.

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4 Respostas para “Pela proibição imediata da propaganda política eleitoral.

  1. como não sou paulistano, acho curioso entender a construção de certos fenômenos estúpidos, tipo maluf.

    que raio de mentalidade gerou um cara que acha plausível sumir com um rio pra encher de engarrafamentos mais 120 pistas novas pistas com nome em inglês?

    o individualismo das classes mais altas é o que congestiona a cidade fisica e mentalmente, o problema é que a única candidata que tem coragem de falar isso a sério tem apenas 3% das intenções de voto (e, infelizmente, sua postura me lembra a de uma candidata a centro acadêmico de faculdade. “pô, bicho, vamo mudar essa parada”).

    e ainda tem a internet banda larga, “coisa de rico”. beleza, todo mundo vai navegar no orkut de graça e sem fio, mas de qual computador?

  2. Tô vendendo meu voto no Mercado Livre.

  3. Pois é, Rodrigo, concordo que o que se chama hoje de propaganda política é um desserviço, bem o contrário do que se propõe.
    Tanto, que é eleito o candidato que pagou o cara certo pra fazer a melhor campanha, não necessariamente o candidato mais capacitado ao cargo.
    Mas precisaríamos descobrir uma forma de conhecer esses candidatos. Debates, institutos de pesquisa (ou de espionagem) da vida pregressa… Qual seria a opção?

  4. Pingback: Eles « Bloda - O blog do Doda

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