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Mais um Moreira Salles na publicidade

Novembro 6, 2008 · 2 Comentários

Eu devo muito ao Pedro Moreira Salles, irmão menos famoso do Waltinho e do João, que são cineastas.

Quando eu tinha minha antiga agência, a Propaganda Registrada, fizemos todo o lançamento do Banco1.net, o primeiro banco pela internet do país. O banco pertencia ao Unibanco e o Pedro pessoalmente aprovou toda a campanha, que eu considero a melhor campanha de comerciais da minha carreira (link aqui) Sempre cordial, educado, inteligente e corajoso.

Tudo bem que por outro lado eu odeio o atendimento do Unibanco, do qual infelizmente sou cliente, mas não posso botar toda a culpa nele.

De toda forma,sempre achei que banqueiros são, por definição, todos uns merdas obcecados por dinheiro e poder. Pedro me fez rever meu preconceito e admitir que até banqueiros podem ser legais ocasionalmente.

Hoje eu recebi de um leitor a carta que ele supostamente mandou na segunda de manhã pros seus funcionários. Não sei se é uma fonte confiável, mas parece.

Não sei se há verdade nas palavras dele, mas que ele escreve bem pra caralho, isso eu posso garantir.
Um texto publicitário de primeira qualidade. Se foi ele mesmo que escreveu, está de parabéns. Se for tudo mentira, está mais de parabéns ainda. Caso o lance com o Itaú vá par o vinagre, podemos ver uma vaguinha pra ele aqui na gloriosa Casa Darwin como redator. Perceba sua excelente pontuação. Abaixo a carta dele como chegou até minha caixa postal.

Pessoal,

Na última sexta-feira, ao desligar o computador e ir para casa, todos vocês faziam parte de um banco como poucos no país. Hoje, segunda-feira, vocês retornam ao trabalho como funcionários de um banco sem igual no Brasil. Durante muito tempo, falamos do Unibanco como um banco único. Pois bem: jamais ele foi tão único quanto hoje, dia 3 de novembro, uma data a ser lembrada na história do sistema financeiro no país. Hoje, vocês começam a trabalhar num dos vinte maiores bancos do mundo – e no maior do Hemisfério Sul.

Ao longo do fim-de-semana, concluímos a negociação de fusão do nosso banco com o Itaú. Estamos unindo forças para criar algo muito maior do que a soma das partes. Nenhuma das estruturas está sendo adquirida pela outra. Todo o meu patrimônio, minha dedicação e a confiança que tenho em vocês estarão a partir de hoje inteiramente empenhados no destino desse novo banco, do qual serei presidente do Conselho, e Roberto Setúbal, presidente executivo. Juntos no dia-a-dia da companhia, nossa ambição é transformar esse novo Unibanco-Itaú numa instituição financeira capaz de competir de igual para igual com os maiores bancos estrangeiros. Somos brasileiros, mas, agora, também seremos globais. Hoje, durante uma coletiva de imprensa que será realizada à tarde, nos apresentamos ao mundo: chegamos, e temos o desejo de sermos tão competitivos quanto qualquer grande instituição internacional.

Em outras palavras: fizemos esse negócio para crescer, e crescer muito. Tomamos essa decisão em busca de escala local e global, sempre priorizando o crescimento da organização. O sentido dessa operação é expandir nossa capacidade de negócios, e todos vocês fazem parte desse novo e ambicioso projeto.

O que anunciaremos hoje é fruto de uma negociação que começou em julho de 2007, na sala de minha casa, entre Roberto Setúbal e eu. Naquela ocasião, conversamos sobre as conseqüências da aquisição que o Santander acabara de fazer do banco Real. Pela primeira vez, estávamos diante de um banco estrangeiro com escala e capital, maior do que o Unibanco e do tamanho do Itaú. Nossa questão era como reagir a esse desafio. Até então, nosso sistema financeiro havia sido protagonizado por instituições nacionais, com raízes e origem no país. Era fundamental não cedermos espaço. A solução nos pareceu evidente. Não apenas pelo tamanho das nossas respectivas instituições, mas também – e eu diria, até, principalmente – pela admiração que tínhamos pelo trabalho um do outro, pelo respeito mútuo que sempre pautou a relação nos nossos respectivos pais, e por aquilo que, na falta de palavra melhor, só posso definir como a intuição de que estava diante de um sócio ideal. De fato, ao longo de inúmeras outras conversas, Roberto e eu jamais divergimos. Foi o encontro de dois amigos que, por trabalharem em instituições concorrentes, ainda não haviam tido o privilégio de perceber o quanto tinham em comum.

Isso dito, esta fusão só se tornou possível graças a excelência do trabalho de todos vocês. Se há uma coisa que fez a negociação chegar a essa conclusão feliz foi a confiança que os dois presidentes tinham na extraordinária capacidade de seus colaboradores. É sempre mais fácil conduzir um processo de fusão entre instituições que contam com o mesmo capital de talento.

Num ambiente de inegável tensão no sistema financeiro mundial, efetuar uma operação desse porte na qual a estrutura de controle do Unibanco passa a ser co-controladora do Itaú é a prova cabal de como vocês souberam conduzir de forma irretocável o nosso banco nesses últimos anos. Se alguém precisasse de mais uma confirmação da qualidade da nossa empresa, da competência dos nossos funcionários, da solidez dos nossos negócios e da importância do Unibanco, aí está ela: estamos juntos com o Itaú, e o Itaú está junto conosco, numa parceria de iguais.

Quando fui anunciar ao meu pai um dos maiores negócios já fechados pelo Unibanco, na década passada, ele só me fez duas perguntas: o negócio é bom para o Brasil? Eu respondi que sim. E veio a segunda pergunta: e é bom para o Unibanco? “É”, respondi. Ele disse apenas: então, pode fechar o negócio, meu filho. Fiel a essa filosofia, mais uma vez estamos fechando um negócio que é bom para o Brasil e bom para o Unibanco.

Dito isso, o nosso projeto não foi interrompido. Vejo o que aconteceu hoje como um salto qualitativo realmente notável – trata-se do maior negócio da história bancária do país – que não seria possível se a nossa instituição não fosse realmente extraordinária. Devo isso a cada um de vocês e, sem retórica, entendo que a cada dia que vocês se dedicaram ao banco nos aproximamos mais e mais da possibilidade de concretizar esse grande negócio.

Meu sentimento é de admiração, respeito e gratidão.

Pedro Moreira Salles

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Esclarecendo com fusão

Novembro 4, 2008 · 2 Comentários

Veja como o mundo é pequeno, redondo e dá voltas.

Há poucas semanas os donos das agências que cuidam das contas institucionais do Itaú e do Unibanco, Fabio Fernandes e Nizan Guanaes, trocaram palavras ríspidas em público. Porém, graças a uma recente curva do destino os dois agora estarão lado a lado decidindo em conjunto as estratégias de comunicação do novo Itaú Unibanco, o maior banco privado do hemisfério sul.

Os banqueiros, que são mais espertos do que os publicitários, ao invés de palavras ríspidas estavam trocando carinhos e beijinhos no escurinho de poderosos escritórios de advocacia enquanto isso. Se fundiram pra fundir melhor com o nosso rico dinheirinho.

A partir de agora as reuniões de comitê anuais de comunicação do Itaú que já incluem a DM9DDB, a DPZ e a África vão incorporar também a presença da F/Nazca. Nesta reunião as agências são normalmente representadas por seus diretores de criação. Vai sair faísca.

Juro que eu pagava ingresso pra assistir aos próximos encontros.

A pergunta que ficou no ar é: será que eles já estavam brigando pela conta?

Conclusão: felizes são os banqueiros.

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