Pelo jeito, o excelentíssimo presidente dos EUA, o Sr. Barak Obama, é o rei do stand-up.
Prova disso é o engraçadíssimo discurso que ele apresentou aos seus convidados na Casa Branca.
Se ele vai conseguir resolver o problema da economia, ainda não temos como saber. Mas por enquanto, me satisfaço sabendo apenas que ele seria ótimo para animar minha rodinha de chope.
(Infelizmente, nossa pacata estrutura Pop Prop ainda não disponibiliza tradução para o português dos vídeos aqui postados. Mas se você manja o mínimo da língua da terra do Tio Sam, vale uma espiada. É bom demais.)
O Jarbas Agenelli me mostrou este vídeo ontem. É uma entrevista com o comediante americano Bill Cosby contando como tentou tocar bateria na juventude sem saber direito o que fazia. E como um dia acabou dando uma canja numa sessão de Bebop com resultados nada felizes. Esse é pra quem tem inglês nível 3 ou mais, infelizmente. Mas só o gestual dele mostrando como é mais importante ser “cool” do que saber tocar vale o esforço.
Achei este texto aqui que eu escrevi pra uma querida amiga que precisava de um monólogo pra encenar numa prova no seu curso de teatro. Tinha esquecido dele e encontrei sem querer. Depois é que eu lembrei que tem uma peça de sucesso chamada “Os Monólogos da Vagina” e esse aí de certa forma é um monólogo sobre pentelhos. Mesmo considerando a proximidade dos assuntos acho que, como na vida real, uma coisa independe da outra. Veja aí o que você acha.
Mulher entra no palco olhando para dentro de suas próprias calças. Com os dedos ela puxa pra frente a cintura da calça, esticando-a e olha pra baixo com desgosto. Ela caminha enquanto faz isso várias vezes até que pára de frente para o público, ainda sem falar nada .Olha pra baixo. Olha pro público. Olha pra baixo. Olha pro público. Até que dá um suspiro e começa a falar.
Ela: Pentelhos…(pausa e olha par ao público). Não vocês. Os pentelhos mesmo. (Ela aponta pra dentro da calça) Eu nem conheço vocês pra saber se vocês são pentelhos…Quer dizer, com certeza devem ter alguns pentelhos aí, misturados nesse grupo de pessoas maravilhosas, divinas, exclusivas e inteligentes que são vocês. Sempre tem uns pentelhos escondidos (ela imita como seriam uns pentelhos escondidos) tentando se passar por gente normal. Mas é louco, né? Como a gente chama gente chata de pentelho. Puta sacanagem com os pentelhos. O que é que os pentelhos fizeram pra levar esta fama de chatos. Pô os pentelhos são uma coisa normal da vida. Tão ali… não incomodam ninguém. Ninguém persegue os bigodes, os cavanhaques, as barbichas. Só porque são perto da boca. Oh! Grande coisa. Se você plantar bananeira os pentelhos são o bigode da piroca e da prexeca. E olha que tem muita boca mais mal frequentada que muita prexeca. Mas isso é outro assunto. Não, não vou pentelhar vocês com isso. Aí! Ta vendo!! Pentelhar. Um verbo criado só pra falar que você tá incomodando. Como se pentelho fizesse alguma coisa contra alguém. Pentelho não faz mal a ninguém, não compra voto, não tem recursos não contabilizados, não tem conta secreta no exterior. Um pentelho, no máximo, faz o seu namorado dar uma engasgadinha quando ele leva o bigode dele pra conhecer o seu. E olha que tem muito namorado que não faz essa visita cortesia do bigode dele com e seu e aí você já sabe. Os bigodes ficam longe dos pentelhos, aquela distância vai crescendo, crescendo, crescendo…e é aí que nasce o preconceito. Dessa distância. Aliás (ela dá uma olhadinha pros lados, como se checando se tem alguém ali e passa a falar em tom conspiratório) eu tenho uma teoria sobre o preconceito que os pentelhos sofrem. Não. É sério. Eu tenho mesmo. Porque pensa: pentelhos normalmente são pixains, né? Afro descendentes (ela faz um espiral com a mão quando fala isso) Tá entendendo? Os pentelhos são o lado negão de todo mundo. Representantes da negritude nagô de todos nós. O nosso bloquinho afro. Um Afroreggae capilar. Uma manifestação da miscigenação e do sincretismo entre as nossas pernas. É muita gente não lida bem com isso. Não. Em vez de ficar contente com aquela ilhota de suingue no seu mar de branquitude, fica lá sonhando com uma escova progressiva bem pequenininha que transformasse aquela globeleza toda numa paquita sem sal. Isso aí é coisa de americano. Com certeza. Americano que curte esse barato de Ku Klux Klan, essa doidera toda. E a vítima inocente, os pentelhos ali, fraquinhos, singelinhos, coitadinhos, completamente indefesos. Até porque minha gente, se os pentelhos não fossem indefesos ninguém is conseguir se depilar. Ia ser o planeta da Claudia Ohana. A gatinha tira a calcinha e lá está o Urco do planeta dos macacos olhando pro rapaz. Mas a natureza é sábia. Ah é. Imagine se os pentelhos pudessem se defender de você. Ia complicar muito a depilação. Você lá com o seu epilady e os pentelhos dando uns jiu-jitsus em você (ela enfia a mão dentro da calça e desenvolve fisicamente a luta entre os pentelhos e sua mão com epilady, é derrubada, cai no chão e se recupera ofegante olhando com medo pra dentro da calça). É…ainda bem que eles são indefesos. Mas não pense que a luta acaba aí não. O pentelhos tão envolvidos numa luta subliminar contra a opressão. “Vive la resitance pentelheuse!!”, como diriam os franceses. Eles estão usando da própria filosofia sanguinária do capitalismo pra lutar pelos seus direitos. É. Marketing. É o marketing que vai salvar os pentelhos. Porque você sabe, né? Aquele papo de o meio é a mensagem. Tipo isso aí. A mulherada tá depilando símbolos na pentelheira e com isso fazendo um trabalho de propaganda subliminar que vai sacudir as estruturas dessa ditadura anti-pentelialista. Tem mulher depilando em forma de setinha. E olha que nem assim o namorado entende aquela história dos bigodes que agente falou anteriormente. Tem umas que fazem depilação em forma de coração. Até de pombinha tem, apesar de que eu acho que depilar uma pombinha meio trocadilho, né? Muito meta-linguístico. Eu mesma entrei nessa luta. Cês querem ver? Será que eu vou ser presa? Tem menor aí no meio? Bom, quem vai no teatro é pra ver mulher pelada mesmo então não custa nada dar o meu recado. Vai lá Brasil, seguuuuuuura.
Ela abaixa as calças e tem uma calcinha cor da pele com pentelhos falsos feitos de pelúcia preta onde se lê: FIM.
Olha que legal esse clube em Nova York chamado The Moth (A Mariposa). É uma espécie de clube de stand-up comedy só que em vez de piada os convidados vão lá pra contar histórias e causos. Verdades, meias verdades, mentiras deslavadas são todas bem vindas desde que a história seja boa. A lista de contadores de causo que passou por lá inclui a Candace Bushnell (autora do Sex in The City), Moby, Suzane Vega, Malcom Gladwell, Ethan Hawke e muitos outros. No site você pode ouvir as histórias (em inglês infelizmente) e até assinar o podcast pra recebê-las sempre. Vale como aula de inglês — pelo menos você vai ouvir gente inteligente contando histórias legais mesmo que quase nunca verdadeiras. Lá vai o LINK: The Moth