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A bicicleta blindada

Agosto 4, 2009 · 11 Comentários

Amigos,
segue meu primero texto pra revista Época São Paulo, já nas bancas, junto com a Época nacional.

O ônibus passou rosnando e a ventania jogou a bicicleta na direção do meio-fio da Av. Diógenes Ribeiro de Lima. Atrás de mim, gritinhos agudos estalaram no ar. Com algum esforço, retomei o controle da bicicleta, que tinha a dirigibilidade prejudicada pelos 17 quilos empoleirados na cadeirinha atrás de mim.

“Papai! Papai! O ombizu passou pertinho-pertinho. Papai! Papai! Eu não falo ônibus porque eu só sei falar ombizu.Ó: Ombizu! Olha o homem no Por-do-sol? Porque tem esse cheiro?” “Eles estão cortando a grama da Praça do Por do Sol, filhão.”

Ali estava eu, às 7h55 da manhã, pedalando ladeira acima pra ver se conseguia melhorar as curvas do meu gráfico de qualidade de vida. São Paulo, como se sabe, foi criada neste exato ponto geográfico pelo Padre Anchieta para testar a perseverança cristã de seus habitantes. Ladeiras que descem até algum lugar útil não parecem existir, ao contrário de Paris, por onde, eu li recentemente, intelectuais pedalam em modernas bicicletas públicas chamadas “Vélib”, levando na garupa baguettes e excelentes gráficos de qualidade de vida.

A escola do meu filho fica a apenas 2,1 km da minha casa. Contando as ladeiras, semáforos, buracos, fechadas e gargalhadas levamos uns 15 minutos de casa até lá. A meia hora de exercício da ida e volta fazem bem pro papai aqui. Os 15 minutos de contato com a cidade fazem muito bem pro filhote, o verdadeiro motivo de estarmos ali naquele momento.

Levá-lo de bicicleta pra escola foi o jeito que eu encontrei pra ensiná-lo a olhar pra cidade não como um obstáculo entre ele e seu destino; não como um lugar ameaçador por onde temos de passar até chegar a segurança de um lugar conhecido; não como o espaço que separa o clube do shopping ; mas um lugar privilegiado, cheio de maravilhas e surpresas, cheiros, cores e temperaturas. O palco da sua vida.

Foi olhando pra cara de uma garotinha no banco de trás de um carro blindado parado do meu lado no trânsito, parecendo um sapo boiando numa jarra de formol, que eu percebi o quanto a busca por segurança nessa cidade havia passado do ponto. Porque o principal problema enfrentado por quem tenta viver com a sensação de segurança em São Paulo é conseguir.

Afinal, pra ter essa a sensação é necessário um aparato enorme: muros, cercas elétricas, câmeras, guardas armados, cães adestrados, centrais de monitoramento, carros blindados e por aí vai. Esse aparato não nos torna seguros, apenas nos separa da cidade, travestindo-a de ameaça. Segurança é apenas uma sensação, como provou tão bem aquele pobre Sr. Safra, morto num incêndio em seu quarto-do-pânico blindado dentro de sua mansão em Monte Carlo.

Na bicicleta, podemos ser assaltados ou mesmo atropelados. Mas podemos sentir o cheiro da grama cortada e do forno da padaria, sentir no rosto o corte frio do inverno e a mão quente do verão, ouvir as melodias assobiadas por desconhecidos, reparar nas roupas dos velhinhos, dar passagem pras crianças, criar as memórias que serão as cores do quadro das nossas vidas.

É por isso que não vale a pena blindar a sua bicicleta.

Postado por Rodrigo Leão

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Casa Darwin cria seu primeiro comercial pra TV

Junho 18, 2009 · 20 Comentários

Depois de um bom tempo sem escrever comerciais tive a chance de criar e produzir este aqui pra comemorar os 30 anos da marca Melissa. O comercial, que tem um minuto e meio, vai ser lançado em TV a cabo em agosto mas já está no ar no YouTube e passando nos desfiles do SPFW verão 09/10. Não é um comercial com piada nem sacadinha. O briefing que eu recebi do cliente foi literalmente: “Rodrigão, eu quero um comercial pra chorar.” Não veio nem por escrito. Ontem no primeiro dia do SPFW, estava eu no lounge quando fui convocado a dar uma entrevista pra uma TV do Ceará, cobrindo o evento. A repórter, antes de falar comigo, deitou-se num dos pufes estratégicamente colocados no salão, vestiu os fones de ouvido e assistiu ao comercial, que passa no teto do lounge em telas de LCD. Ao se levantar pra começar a entrevista ela pediu um minuto. Estava chorando. Demorou uns cinco minutos pra se recompor. Nunca imaginava que aquele comercial tão fofinho fosse relembrá-la de tantas partes da sua vida. Foi uma espécie de Leão de Ouro de água e sal que eu recebi ali naquele momento.

O motivo pelo qual um monte de mulheres tem chorado ao assistir esse comercial eu sei qual é. O segredo é que ele não conta nenhuma vantagem do produto, mas espelha com verdade a vida de quem usou e usa Melissa. O David Mamet, que é um escritor que eu admiro muito, especialmente no tópico Teoria Dramática, sempre fala que uma peça, um filme (e acredito eu, até um comercial) nunca podem tentar ser reais. A realidade, segundo ele, é infinitamente mais complexa, sobreposta, confusa e inesperada do que qualquer artista jamais seria capaz de retratar. A boa arte, segundo ele não deve tentar ser realista. Deve tentar ser verdadeira.

Eu cresci com 3 irmãs. Esse comercial, de certa forma, é a história delas, mas também é a história da minha mulher e sua amiga Pat, a história da Raquel, minha amiga e cliente, e também a de muitas outras mulheres.

Quem produziu foi um coletivo de talentos (produtora moderna chama coletivo) chamado ideiaforte e quem fez a trilha linda foi a Somzera. A locução incrível é da minha irmã e blogueira Renata Leão (pra mim, a mágica do filme está na verdade que ela colocou na locução). Espero que você goste.

Postado por Rodrigo Leão

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Casa Darwin na capa do Adland

Outubro 27, 2008 · 2 Comentários

A Casa Darwin está na capa do Adland, um dos mais bacanas blogs de propaganda do mundo com a campanha internacional de Melissa. Confira: ADLAND

A mesma campanha também foi selecionado pelo site www.bestadsontv.com

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