Muita gente acha equivocadamente que Vinícius de Moraes gostava de poesia. Vinícius gostava é de mulher. Poesia era uma coisa que ele usava pra conquistar as mulheres. Quando veio o tempo em que a música popular era uma melhor ferramenta de conquista, ele rapidamente virou músico popular. Se ele gostasse mesmo de poesia teria passado a vida na biblioteca, em vez de enchendo a lata com as gatinhas.
Houve um tempo em que um sujeito se sentava na mesa de um bar e falava com cara de angustiado: “Eu sou poeta.” e imediatamente a mulherada se imaginava sendo assunto principal de peças literárias de exaltação erótica e moral — e conseqüentemente com tesão. Hoje, o cidadão diz “Eu sou poeta!” e a mocinha responde “Parente da Patrícia? Aquela da Globo? Eu tenho uma amiga que é prima do Wagner Montes. Cê é o que dela?”
O declínio de uma forma de arte tem direta correlação com a sua capacidade (da forma de arte) de ajudar o artista a se dar bem sexualmente. Não importando o que isso queira dizer, visto que artistas são notoriamente inventivos nesse quesito também. Ninguém disputa a importância artística da música clássica mas vá você tentar se dar bem com essa letra por aí. Até você conseguir explicar a importância do segundo contra-fagote pra moça ela já foi dançar com um amigo surfista.
Eu, como a tartaruga do Kung-Fu Panda, sei que o presente tem esse nome porque é uma dádiva. Por isso, contemplando o fim da importância da música pop como forma de arte, não sinto dó. Antes dela faleceram a poesia, as artes plásticas, a ópera e tantas outras formas que uma pessoa tem de tentar dormir bem acompanhado. É óbvio que como no caso de todas essas outras formas de expressão sempre haverá um nicho de pessoas interessadas que vão manter a música pop viva. Até o funk carioca tem fãs e defensores.
Podemos falar abertamente então: não é você que está ficando velho. As bandas de hoje em dia realmente não importam. O que fazia a música pop ser tão importante pra nós era o gargalo de distribuição. Quando só havia um Sex Pistols que não sabia tocar mas tinha muita “atitude” a gente achava legal pois pensava: “Pô, eu bem que podia ser um retardado desses aí!”. Para ser um milionário com um estilo de vida dionísico só eram precisos 3 acordes e muita atitude. Agora que todos os Sex Pistols do mundo podem mostrar seu visual chocante e seu som horrível no myspace, nenhum deles importa. A Inflação de artistas desvalorizou essa arte até a morte por irrelevância. Resta saber o que o gênio Vinícius faria hoje pra ir embora do bar abraçando algo mais curvilíneo do que o Tom Jobim?