Hoje (17/02/09) às 11h40 recebi a ligação da minha amada editora Noelly Russo, do Metro, me avisando que o novo presidente do jornal, um senhor chamado Antonio Teles demitiu sumariamente todos os colunistas da sessão Vozes do simpático gratuito para instalar o padrão “Band” de qualidade no jornal. Segundo informações da própria Band, Antonio Teles é um homem cuja biografia é muito mais do que apenas uma longa página em branco — coroada por seu emprego como papagaio de divulgação do Presidente José Sarney. Não. É também um homem capaz de impor um “padrão”de qualidade “Band”.
Enquanto muitas pessoas preferem a gonorréia ao padrão “Band” de qualidade do Sr. Teles não posso dizer que vou chorar muito pelos míserios trocados que tão suadamente ganhava do jornal. Digo suadamente pois o financeiro do Metro sempre dava uma canseira pra pagar. Só escrevia mesmo porque eu gosto de fazer bagunça. Larguei o jornalismo em 1994 quando descobri que um redator publicitário ganhava 10 vezes (não metafóricas) mais do que um editor da Ed. Abril (meu cargo então). E como diz o André Midani: “Você vale quanto você cobra.”
Por outro lado eu vou sentir muita falta e vou chorar muito de saudade das cartas que recebia dos leitores. Essas sim, inesquecíveis. As afetuosas, as raivosas, as solidárias, as confusas, as puxa-sacos, as ameaçadoras, enfim, todas elas. Porque não existe motivo pra escrever outro que não mobilizar os leitores a pensar, a reagir, a rir e por vezes até a escrever de volta pra você.
Agradeço a você, que me deu a honra de ler algumas das bobagens que escrevo e que quiçá, vai seguir acompanhando os textos pelo blog.
A rede internacional Metro é fantástica e criativa, tendo inventado um padrão gráfico e editorial que é sucesso no mundo todo. A Band, nascida e criada sob o signo da mediocridade, tenta agora rapinar o trabalho e talento da rede internacional e tenta se movimentar pra ficar com o negócio pra si. Típico.
Agora, lendo a biografia do Antonio Teles abaixo (que eu peguei no site da Band), alguém me explique como é que “atividades no setor de criação publicitária”qualificam alguém pra ser Coordenador de Divulgação da Presidência da República no Gabinete Civil? Pra quem será que ele mostrou a pasta? E que tipo de pasta era essa? Bom, se bem que pra divulgar o que o Sarney fazia de um jeito positivo só mesmo com muita capacidade criativa.
No fim do dia, conversando com meu grande amigo, e certamente um dos melhores diretores de programação de rádio do Brasil, Eduardo Santos (que mais do que triplicou o faturamento da Ipanema FM de POA enquanto segmento declinava acentuadamente) ele me contava que está passando uns dias na praia da Gamboa, em SC, e que lá encontrou o escritor Eduardo Bueno, o Peninha — o cara que conseguiu escrever todos aqueles best-sellers sobre a verdadeira história do Brasil. Conversa vai, conversa vem, bebida vai, bebida vem, eles chegaram a conclusão que num país como o Brasil, onde quase tudo está errado, um homem de verdade precisa ter inimigos. Hoje eu espero ter conquistado pelo menos um.

Antonio Teles
Mineiro de Monlevale, o jornalista Antonio Teles, iniciou sua carreira em 1962, como repórter no jornal Última Hora. Posteriormente seguiu para a TV Rio e TV Belo Horizonte, onde chegou ao cargo de Redator-Chefe. Também trabalhou no Jornal O Globo e na TV Globo em São Paulo e Belo-Horizonte, nas Rádios Itatiaia, Vila Rica e na Bloch Editores. Além do jornalismo, Antonio Teles desenvolveu ainda atividades no setor de criação publicitária, experiência que lhe rendeu o cargo de Coordenador de Divulgação da Presidência da República no Gabinete Civil da Presidência em 1986.
Postado por Rodrigo Leão