Enquanto eu sigo aqui babando, esperando a minha cópia do novo livro do Malcom Gladwell, “Outliers”, o amigo Rodolfo Araújo já recebeu o dele e já começou a falar dos primeiros capítulos. Quem for ansioso como eu não pode perder: aqui.
Mas quando chegar a minha cópia vou resenhar também.
Entradas do Novembro 2008
Enquanto o seu lobo não vem
Novembro 25, 2008 · 1 Comentário
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Casa Darwin e Melissa na capa do www.notcot.org
Novembro 21, 2008 · 3 Comentários
Chegar pra trabalhar nesta sexta após feriado não foi fácil. Mas qual não foi nossa felicidade ao ver a campanha Plastic Dreams inteira na capa do www.notcot.org
O Notcot é um dos principais sites de referência para quem gosta de publicidade e design no mundo todo.
Não sabemos como foi parar lá. Mas ficamos muuuuuito felizes.
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Casa Darwin cria campanha de filmes para Rolling Stone
Novembro 14, 2008 · 2 Comentários
É com grande orgulho que apresentamos nossa primeira campanha pra Revista Rolling Stone Brasil, que concorre ao Prêmio Caboré 2008. São os quatro filmes postados abaixo. Além disso, no meio da semana que vem entra no ar no site da revista — www.rollingstone.com.br — um player onde você vai poder montar e dublar seus próprios filminhos e mandar pros amigos. A produção foi da Piloto e a trilha e dublagens da Somzera.
Divirtam-se.
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Um grafite que vale por um diploma
Novembro 13, 2008 · 1 Comentário
Quem é leitor do Blog vai achar este post um pouco redundante, mas esta é a coluna do Metro desta semana, que este bolg se propõe a documentar. Então guenta.
Imagine uma dança das cadeiras onde 2074 bundas disputam 50 cadeiras. Assim será o vestibular para Propaganda na USP este ano — a mais disputada vaga da mais disputada universidade do país. Mas para se transformar em mestres da comunicação do século 21, talvez essa molecada não devesse estar olhando para dentro da sala de aula e sim pras paredes do lado de fora.
Ali, com spray, stencil, ações de guerrilha, instalações e uso inteligente da internet um jovem inglês conhecido apenas pelo codinome Banksy vem se tornando não só um dos mais importantes artistas vivos, como talvez um dos mais interessantes publicitários do mundo. O trabalho de Bansky é simples, audaz, direto, bem-humorado, relevante e encantador. Tem síntese e informação. Só que infelizmente para indústria da publicidade, Banksy não vende idéias com fins comerciais. Só usa seu talento para promover suas próprias idéias anti-preconceito, anti-guerra, anti-corporativas e principalmente anti-arte-como-nós-a-conhecemos.
Banksy há tempos aplica em sua obra aquilo que a propaganda mundial ainda sofre pra entender: que a mensagem tem de ser pensada a partir do contexto. E que a arte ou a propaganda precisam interferir neste contexto para ampliar seus significados, não para atrapalhá-lo. A arte de Banksy se apropria e revoluciona o espaço que ocupa. Como os quadros falsos que ele pendura em museus importantes e levam meses até serem detectados ou o grafite de uma menininha voando com um balão que só é tão poderoso porque está pintado no muro criado por Israel para cercar a Palestina. Ou então sua última estrepolia: “The Village Pet Store and Charcoal Grill” (Pet Shop e Churrascaria da Vila) uma pet shop toda feita com robôs animado: cachorros-quentes brincando, nuggets de galinha ciscando, palitinhos de peixe frito nadando em aquários, coelhos se maquiando, macacos que assistindo TV —talvez a mais mordaz e simples crítica ao uso de animais pela indústria já feita.
Em 1917, Marcel Duchamp demonstrou, ao colocar um mictório numa galeria de arte e intitulá-lo “Fonte”, que aquilo que num banheiro serve pra fazer xixi, numa galeria de arte pode servir pra fazer pensar. Mas Banksy acredita que a arte moderna parou de nos fazer pensar faz tempo: “Nunca na história humana tanto foi gasto por tanta gente para dizer tão pouco.” Esse é o mesmo risco que corre a publicidade do século 21: ou começa a tornar a experiência das marcas na vida dos consumidores mais rica e contextualizada ou vai acabar no banheiro.
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Banksy também se vende?
Novembro 11, 2008 · 4 Comentários
No post anterior sobre o Banksy eu disse que você não pode comprar as obras dele. E de certa forma é verdade. Você não pode comprar um pedaço grafitado do muro que separa Israel da Palestina e sem o qual aquela imagem da menininha voando pendurada num balão fica bem trouxa. Mas pode sim comprar algumas obras dele (em telas e silk-screens) numa galeria chamada Laz Inc, na Greek Street, no bairro do SoHo em Londres.
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Propaganda versus arte 1
Novembro 10, 2008 · 1 Comentário
O maior desafio da propaganda é arrumar clientes. O segundo é criar algo relevante.
O maior desafio da arte é criar algo relevante. O segundo é arrumar clientes.
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A Pet Shop do inferno
Novembro 10, 2008 · 3 Comentários
Meu ídolo Banksy não é bem um artista plástico.
Digo isso porque você não pode comprar as obras dele. Não só você. Ninguém. Nem um bilionário russo. Suas obras são grafites espalhados pelas ruas do mundo.São incompráveis porque são de todos e para todos.
Meu amigo Pedro Inoue me contou que ultimamete o Banksy deu pra grafitar, fotografar, deixar o grafite lá uns dias e depois voltar e apagar.
Mas aúltima que ele aprontou foi demais: ele fez um pet shop inteira com animatronics: cachorros-quentes, nuggets de galinha, coelhos que se maquiam, macacos que assistem TV — naquela que talvez seja a mais mordaz, simples e eloqüênte crítica ao uso industrial de animais, seja pela indústria de alimentos, cosméticos ou de lazer.
“The Village Pet Store and Charcoal Grill” que em tradução livre seria “Pet Shop e Churrascaria da Vila” é toda feita com robôs animados como os da Disney. Só que ao invés de serem usados pra fazer você esquecer da vida, são usados pra fazer você pensar na vida.
Enquanto isso os bobinhos aqui do Brasil vão lá encher a Bienal de tags achando que são rebeldes, que estão contestando “tudo isso que está aí”. Dá um misto de vergonha pelos pais que pagam a Faap pra eles e tristeza pela falta de criatividade. Se tivessem estudado veriam que o Marcel Duchamp fez muito melhor mais de meio século antes deles. E se gostam de grafite, deviam pelo menos se esforçar pra ter idéias. Sujeira até o meu cachorro faz.
Abaixo você pode ver um vídeo e algumas fotos sensacionais de nuggets comendo molho barbecue ou fish-sticks nadando num aquário…
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Mais um Moreira Salles na publicidade
Novembro 6, 2008 · 2 Comentários
Eu devo muito ao Pedro Moreira Salles, irmão menos famoso do Waltinho e do João, que são cineastas.
Quando eu tinha minha antiga agência, a Propaganda Registrada, fizemos todo o lançamento do Banco1.net, o primeiro banco pela internet do país. O banco pertencia ao Unibanco e o Pedro pessoalmente aprovou toda a campanha, que eu considero a melhor campanha de comerciais da minha carreira (link aqui) Sempre cordial, educado, inteligente e corajoso.
Tudo bem que por outro lado eu odeio o atendimento do Unibanco, do qual infelizmente sou cliente, mas não posso botar toda a culpa nele.
De toda forma,sempre achei que banqueiros são, por definição, todos uns merdas obcecados por dinheiro e poder. Pedro me fez rever meu preconceito e admitir que até banqueiros podem ser legais ocasionalmente.
Hoje eu recebi de um leitor a carta que ele supostamente mandou na segunda de manhã pros seus funcionários. Não sei se é uma fonte confiável, mas parece.
Não sei se há verdade nas palavras dele, mas que ele escreve bem pra caralho, isso eu posso garantir.
Um texto publicitário de primeira qualidade. Se foi ele mesmo que escreveu, está de parabéns. Se for tudo mentira, está mais de parabéns ainda. Caso o lance com o Itaú vá par o vinagre, podemos ver uma vaguinha pra ele aqui na gloriosa Casa Darwin como redator. Perceba sua excelente pontuação. Abaixo a carta dele como chegou até minha caixa postal.
Pessoal,
Na última sexta-feira, ao desligar o computador e ir para casa, todos vocês faziam parte de um banco como poucos no país. Hoje, segunda-feira, vocês retornam ao trabalho como funcionários de um banco sem igual no Brasil. Durante muito tempo, falamos do Unibanco como um banco único. Pois bem: jamais ele foi tão único quanto hoje, dia 3 de novembro, uma data a ser lembrada na história do sistema financeiro no país. Hoje, vocês começam a trabalhar num dos vinte maiores bancos do mundo – e no maior do Hemisfério Sul.
Ao longo do fim-de-semana, concluímos a negociação de fusão do nosso banco com o Itaú. Estamos unindo forças para criar algo muito maior do que a soma das partes. Nenhuma das estruturas está sendo adquirida pela outra. Todo o meu patrimônio, minha dedicação e a confiança que tenho em vocês estarão a partir de hoje inteiramente empenhados no destino desse novo banco, do qual serei presidente do Conselho, e Roberto Setúbal, presidente executivo. Juntos no dia-a-dia da companhia, nossa ambição é transformar esse novo Unibanco-Itaú numa instituição financeira capaz de competir de igual para igual com os maiores bancos estrangeiros. Somos brasileiros, mas, agora, também seremos globais. Hoje, durante uma coletiva de imprensa que será realizada à tarde, nos apresentamos ao mundo: chegamos, e temos o desejo de sermos tão competitivos quanto qualquer grande instituição internacional.
Em outras palavras: fizemos esse negócio para crescer, e crescer muito. Tomamos essa decisão em busca de escala local e global, sempre priorizando o crescimento da organização. O sentido dessa operação é expandir nossa capacidade de negócios, e todos vocês fazem parte desse novo e ambicioso projeto.
O que anunciaremos hoje é fruto de uma negociação que começou em julho de 2007, na sala de minha casa, entre Roberto Setúbal e eu. Naquela ocasião, conversamos sobre as conseqüências da aquisição que o Santander acabara de fazer do banco Real. Pela primeira vez, estávamos diante de um banco estrangeiro com escala e capital, maior do que o Unibanco e do tamanho do Itaú. Nossa questão era como reagir a esse desafio. Até então, nosso sistema financeiro havia sido protagonizado por instituições nacionais, com raízes e origem no país. Era fundamental não cedermos espaço. A solução nos pareceu evidente. Não apenas pelo tamanho das nossas respectivas instituições, mas também – e eu diria, até, principalmente – pela admiração que tínhamos pelo trabalho um do outro, pelo respeito mútuo que sempre pautou a relação nos nossos respectivos pais, e por aquilo que, na falta de palavra melhor, só posso definir como a intuição de que estava diante de um sócio ideal. De fato, ao longo de inúmeras outras conversas, Roberto e eu jamais divergimos. Foi o encontro de dois amigos que, por trabalharem em instituições concorrentes, ainda não haviam tido o privilégio de perceber o quanto tinham em comum.
Isso dito, esta fusão só se tornou possível graças a excelência do trabalho de todos vocês. Se há uma coisa que fez a negociação chegar a essa conclusão feliz foi a confiança que os dois presidentes tinham na extraordinária capacidade de seus colaboradores. É sempre mais fácil conduzir um processo de fusão entre instituições que contam com o mesmo capital de talento.
Num ambiente de inegável tensão no sistema financeiro mundial, efetuar uma operação desse porte na qual a estrutura de controle do Unibanco passa a ser co-controladora do Itaú é a prova cabal de como vocês souberam conduzir de forma irretocável o nosso banco nesses últimos anos. Se alguém precisasse de mais uma confirmação da qualidade da nossa empresa, da competência dos nossos funcionários, da solidez dos nossos negócios e da importância do Unibanco, aí está ela: estamos juntos com o Itaú, e o Itaú está junto conosco, numa parceria de iguais.
Quando fui anunciar ao meu pai um dos maiores negócios já fechados pelo Unibanco, na década passada, ele só me fez duas perguntas: o negócio é bom para o Brasil? Eu respondi que sim. E veio a segunda pergunta: e é bom para o Unibanco? “É”, respondi. Ele disse apenas: então, pode fechar o negócio, meu filho. Fiel a essa filosofia, mais uma vez estamos fechando um negócio que é bom para o Brasil e bom para o Unibanco.
Dito isso, o nosso projeto não foi interrompido. Vejo o que aconteceu hoje como um salto qualitativo realmente notável – trata-se do maior negócio da história bancária do país – que não seria possível se a nossa instituição não fosse realmente extraordinária. Devo isso a cada um de vocês e, sem retórica, entendo que a cada dia que vocês se dedicaram ao banco nos aproximamos mais e mais da possibilidade de concretizar esse grande negócio.
Meu sentimento é de admiração, respeito e gratidão.
Pedro Moreira Salles
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A idéia que vendeu Obama
Novembro 5, 2008 · 6 Comentários
Meu brilhante amigo Paulo Pedó, que sabe tudo de marketing vive me dizendo que “as pessoas não compram produtos, elas compram histórias.” Quando vamos lançar um novo produto ou uma campanha juntos ele me pergunta: “Que história a gente vai contar?” Paulinho entendeu há muito tempo que os bens e produtos que consumimos e vendemos não tem valor por si só. Eles têm apenas o valor que nós conseguimos enxergar neles. E para enxergarmos valor neles, eles precisam ter uma história, como se fossem uma pessoa. Quem comprou um pedaço quebrado do muro de Berlim não pagou pelo concreto, mas pela história que a aquela pedaço de concreto carregava consigo. Uma história de separação e reencontro, uma história de luta e liberdade, uma história que diz um pouco do que somos e do que queremos ser.
Esta semana os cidadão dos EUA retomam seu país de volta para si. A eleição de Barack Obama representa uma série de vitórias diferentes que em verdade representam uma só: o reencontro dos Estados Unidos da América com sua arma mais poderosa de conquista, com sua mais genial idéia vendedora: O sonho americano.
O desfecho da Guerra Fria nada mais foi do que a vitória do Sonho Americano sobre o Ideal Socialista. Porque todo mundo sabe que um ideal é por definição algo inatingível e portanto fadado ao insucesso, mas que um sonho pode se tornar realidade. Era óbvio que o sonho levaria a melhor. Nesta eleição ele levou.
Mas a grande pegadinha é que o sonho sempre foi de todos e a realidade só de alguns homens brancos. Obama, por conta de sua história pessoal tão particular, conseguiu incorporar (no sentido de transformar idéia em corpo) um pouco dos sonhos de todo o mundo. Sua eleição e a coroação de um processo mundial que vem substituindo a imagem principesca dos líderes de outrora por homens com mais cara de ponto de ônibus e menos cara de campo de pólo.
Quando olho para Obama, Lula, Hugo Chavez, Evo Morales ou Rafael Correa não vejo muita diferença. Vejo refletidos ali todos nós: negros, índios, mestiços, brancos e asiáticos. Pela primeira vez na história, um encontro dos líderes da América não vai parecer um jantar de banqueiros na Suíça. E todas as avós do continente poderão passar a mão no cabelo de seus netos antes de dormir e pensar: este menino ainda vai ser presidente. E não será apenas um sonho. Será uma realidade possível. Ou como disse o Obama:” Vocês colocaram as mãos no arco da história e escolheram a esperança de um novo dia”.
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Esclarecendo com fusão
Novembro 4, 2008 · 2 Comentários
Veja como o mundo é pequeno, redondo e dá voltas.
Há poucas semanas os donos das agências que cuidam das contas institucionais do Itaú e do Unibanco, Fabio Fernandes e Nizan Guanaes, trocaram palavras ríspidas em público. Porém, graças a uma recente curva do destino os dois agora estarão lado a lado decidindo em conjunto as estratégias de comunicação do novo Itaú Unibanco, o maior banco privado do hemisfério sul.
Os banqueiros, que são mais espertos do que os publicitários, ao invés de palavras ríspidas estavam trocando carinhos e beijinhos no escurinho de poderosos escritórios de advocacia enquanto isso. Se fundiram pra fundir melhor com o nosso rico dinheirinho.
A partir de agora as reuniões de comitê anuais de comunicação do Itaú que já incluem a DM9DDB, a DPZ e a África vão incorporar também a presença da F/Nazca. Nesta reunião as agências são normalmente representadas por seus diretores de criação. Vai sair faísca.
Juro que eu pagava ingresso pra assistir aos próximos encontros.
A pergunta que ficou no ar é: será que eles já estavam brigando pela conta?
Conclusão: felizes são os banqueiros.
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