Tá aí um slogan que poderia se tornar excepcionalmente mais verdadeiro e melhor com um simples ponto de interrogação.
VIVO. Sinal de qualidade?
Ou simplesmente:
VIVO?
Eu como viciado em produtos Apple — try to make me go to rehab but I say no, no, no — liguei pros mortos da VIVO várias vezes nos últimos dias pra saber onde poderia comprar o meu iPhone 3G que, digamos a verdade, eu realmente não preciso. Com ele eu seria obrigado a pagar muito mais por serviços que eu não quero ter e que não vou usar, mas que como todo viciado, me vejo obrigado a adquirir mesmo assim.
A minha sorte é que os mortos lá da VIVO não me deixam comprar o danado de jeito nenhum. Cada hora um atendente gerundista me dá uma informação errada diferente.
” Mas eu quero comprar o iPhone 3G agora! Eu tenho dinheiro, eu juro. Me ajude.”
” Olha o senhor não vai poder estar comprar o aparelho pois só vai poder estar comprando o iPhone aqueles clientes VIVO que receberam um SMS avisando que estariam podendo estar comprando o aparelho.”
“Você está sugerindo que eu compre um da Claro?”
“Não senhor.”
“Então me venda uma porra de um iPhone da VIVO!”
” Olha o senhor não vai poder estar comprar o aparelho pois só vai poder estar comprando o iPhone aqueles clientes VIVO que receberam um SMS avisando que estariam podendo estar comprando o aparelho.”
Tuu-tuu-tuu-tuu.
Agora que finalmente posso levar meu número comigo, acho que está na hora de largar este peso morto que é a VIVO. Uma empresa que se recusa a ganhar um dinheirão sem explicação não pode estar no caminho certo. Isso é anti-capitalismo.
Uma coisa é não ter iPhone pra todo mundo que quer comprar. Isso sinaliza apenas a falta de planejamento de marketing ou mesmo uma dificuldade na compra dos aparelho dos americanos. Agora, transformar um produto vencedor, capaz de fidelizar um cliente gastador, num motivo pra troca de operadora já configura gestão desastrosa. Fora a incapacidade de dar informações simples aos clientes. Isso é preguiça e má vontade. Bastava dizer: “olha o senhor precisa se cadastra não sei onde”, ou, “daqui a um mês teremos aparelhos disponíveis e podemos avisá-lo quando isso ocorrer”. Ou seja: demonstrar algum sinal de qualidade.
Sexta a noite fui ver o espetáculo Fuerzabruta que está numa tenda/circo no Parque Villa-Lobos. Gostei muito por vários motivos. Aqui vão alguns deles:
1. Finalmente entendi o comercial da Fiat em que um carro anda numa esteira de corrida gigante e arrebenta umas paredes de papel cercado por uma galera dançando ao som do tecno bombando. Pensava que era apenas uma babaquice sem sentido. Descobri que é uma babaquice com sentido — faz referência a este espetáculo.
2. Você pode convidar uma moça pra ir dizendo que é um espetáculo de dança. Como todos sabemos, homens que toleram espetáculos de dança para agradar moças são muito bem quistos em sociedade. Como você não pode assistir a este espetáculo sentado, então dificilmente você vai dormir e consequentemente queimar seu filme. E além disso, não é bem um espetáculo de dança. É mais com ir a uma briga no Karaokê da Liberdade às 3 da manhã numa quarta-feira. E tem muitas dançarinas semi-nuas com roupas molhadas, que é o tipo de espetáculo de dança que mais emociona os homens.
3. Me senti num espetáculo do grupo catalão La Fura dels Baus, só que sem tanta Fura e sem tanto Dels Baus. Ou seja; você até se molha um pouquinho mas ninguém joga carne crua em você.
4. O espetáculo é argentino e o personagem principal, presumivelmente também argentino, leva vários tiros já durante sua performance inicial. A platéia composta de brasileiros aplaude cada vez que ele leva os tiros. Os motivos que levam ao aplauso são ambíguos.
5. Durante o ponto alto do espetáculo o público passa a mão na bunda das dançarinas — protegidas apenas por uma lona plástica transparente — num troca que uns classificariam de muito bonita e outros de assédio sexual.
6. Eu estava com meu amigo Tintin que é a pessoa que menos gosta de ser chamada a participar do espetáculo que você vai ver na sua vida. Nenhum dos argentinos ousou chamá-lo a ter uma prancha de isopor e papel quebrada na sua cabeça. Ele teria matado o performer. A platéia certamente teria aplaudido por motivos ambíguos.
Mais uma dica da Renatinha: esse vídeo de sacanagem pra promover a festa de 30 anos da marca de jeans Diesel é muito engraçado. A festa que tem como tema “XXX” que quer dizer “Triple X rated” em inglês que significa filme absolutamente impróprio para menores e também 3 vezes o algarismo romano X. A festa vai acontecer em 17 cidades inclusive São Paulo. Só que no site escreveram Sao Paolo. Outra sacanagem.
Essa eu peguei no Blog do Josias na Folha. São dados que comprovam que a minha campanha contra a propaganda política está absolutamente correta. Sem propaganda, os vereadores teriam de viver de sua reputação. E a reputação se constrói com trabalho (mesmo que não seja muito). Mas trabalho é o qu enão rola quando falamos dos nossos políticos. Olha só o que eles ficam fazendo lá na câmara:
Entre 2005 e 2008, os 55 vereadores da Câmara Municipal de São Paulo apresentaram 3.021 projetos. Desse total, foram aprovados 892.
Entre as propostas aprovadas, apenas 23% (206) tratavam de matérias com algum tipo de impacto direto na vida da população da cidade e no cotidiano da prefeitura.
Os outros 77% (686 projetos) ou não foram aprovados ou versavam sobre temas irrisórios, sem nenhuma importância prática.
Por exemplo: 1.202 projetos tratavam da nomeação de logradouros, de homenagens, da fixação de datas comemorativas e outra banalidades.
Considerando-se a totalidade dos 3.021 projetos, chega-se a um quadro desalentador: foi de 8,6% o índice de produção legislativa dos vereadores com algum sentido prático para a coletividade.
Ou seja: a taxa média de improdutividade da Câmara Municipal do maior e mais importante município do país –materializada no texto das propostas inúteis— alcança 91,4%.
A análise dos projetos e a contabilização do que é relevante e irrelevante foi deita pela Transparência Brasil. Pressionando aqui você chega a um quadro com a lista das propostas.
O estudo revela que, diferentemente dos vereadores, a prefeitura submeteu à apreciação da Câmara Municipal paulistana 137 projetos cujo teor afetava diretamente a vida dos munícipes.
Desse total, aprovaram-se 85. Uma taxa de sucesso de 62%. Algo que conduz a uma conclusão óbvia: assim como em Brasília quem dá as cartas no Congresso é o Planalto, em São Paulo a dono do baralho é o Executivo Municipal.
Enquanto os vereadores se afogam num mar de propostas fúteis, a prefeitura legisla.
Antes de o Lula ser eleito Presidente da República pela primeira vez meu pai e eu quebramos o maior pau. Meu pai tinha certeza que o Lula ia dar o calote na dívida externa, declarar moratória e mandar todas as vacas da economia brasileira pro brejo. Eu dizia pra ele que ele estava enganado pois estava ignorando dois princípios básicos da psicologia humana. Um: pobre paga as contas e teme a lei. Dois: rico dá calote, pica a mula e o governo, sustentado com o imposto dos pobres, paga a conta.
Meu pai dizia que o satânico Partido dos Trabalhadores iria instaurar uma revolução comunista e atrasar o Brasil 20 anos. Eu dizia só um ricão como o Collor de Mello seria capaz de um confisco. Só o avô dos herdeiros do Banco Nacional teria feito o PROER, de 1995, para salvar os bancos. Ora, se as padarias podem quebrar, os banco também podem. Isso não é comunismo, é capitalismo.
Lembrei disso lendo sobre o caso do Sr. Richard Fuld, ex-CEO do banco Lehman Brothers que quebrou semana passada e provocou todo o bafafá que quase levou o mercado financeiro mundial ao colapso. Nos seus 14 anos a frente do banco o picareta Sr. Fuld ganhou uns US$ 500 milhões. É isso mesmo. Meio bilhão de dólares pro mané que em 14 anos quebrou um banco com 158 anos de existência. Richard, como todos seus amigos de moral distraída de Wall Street, negociavam títulos obviamente podres como se fossem ótimos e agora querem que o contribuinte americano pague a conta da festinha. A bufunfa deles, é claro, já está garantido nos paraísos fiscais.
Enquanto isso, gente como Muhammad Yanus, do Grameen Bank (Banco da Vila) de Bangladesh, vencedor — junto com o seu banco —do Prêmio Nobel da Paz de 2006, continua provando ao mundo que emprestar um pouquinho de dinheiro para gente muito pobre, cobrando juros razoáveis, pode mudar dramaticamente a vida dessas pessoas e ainda ser um modelo de negócios rentável. Mulheres são 94% dos agraciados com empréstimos do Grameen e para garantir os pagamentos o banco empresta dinheiro em esquema de solidariedade onde várias mulheres entram juntas com o pedido de empréstimo e pressionam umas as outras pelo cumprimento dos pagamentos. Funcionando desde 1983, o banco já emprestou US$ 6.38 bilhões para 7,4 milhões de pessoas.
Uma regra de três simples mostra que os US$ 700 bilhões que o governo americano vai dar pra gente como Richard Fuld poderiam ajudar 700 milhões de pessoas pelo esquema do Grameen Bank. O que parece mais justo?
Ontem a noite teve a festa de lançamento da Melissa + Zaha Hadid em Londres. A bota gigante que a gente criou na Casa Darwin tá parecendo aquele anão de jardim da lenda urbana que sai viajando pelo mundo e manda fotos para o dono. No noso caso dessa vez demos sorte e estavamos lá também. É claro que pintaram convidados bem mais ilustres do que nós como o produtor da Amy Winehouse e da Lilly Allen, Mark Ronson, a Roisin Murphy. cantora do Moloko e até a Pamela Anderson, que não só nos prestigiou com seus peitões de plástico como ainda levou um acompanhante do mesmo material.
Mark Ronson junto da bota gigante.
Pamela e seus 3 acompanhantes: 2 de silicone e 1 de plástico
As chances de um prefeito acabar com a violência urbana, o trânsito e a miséria em São Paulo nos próximos quatro anos são as mesmas de um papagaio caolho e perneta construir sozinho um ônibus espacial. No entanto, todos os candidatos a prefeitura gastam os tubos para prometer em suas propagandas políticas as soluções para problemas insolucionáveis. Problemas que só serão solucionados quando nós paulistanos assumirmos nossas responsabilidades e fizermos em conjunto alguma coisa para resolvê-los. Então, pra que propaganda eleitoral? Pra ficar ouvindo que a Marta é contra a violência na periferia? Ué, mas quem é a favor? Que o Alkimin é contra a desigualdade da distribuição de renda? Ao contrário de quem? E que o Kassab é o homem da cidade limpa. Desculpe, mas cidade limpa é Cingapura. São Paulo é uma imundice que não tem mais outdoors.
A carreira de um político de baseia em tentar levar a fama pelas mudanças provocadas pelas pressões da sociedade organizada. O emprego do político é representar os interesses financeiros ou corporativos daqueles que o elegeram. Um rosto pra decorar a cédula em lugar de grandes construtoras ou do lobby dos sindicatos. O resto é só conversa fiada pra enganar as velhinhas e os pobres iletrados. O problema é que essa conversa fiada custa uma nota pra nós que temos o triste hábito de trabalhar honestamente pra sobreviver.
A propaganda política é uma perversão doentia em que profissionais de propaganda de moral distraída cobram caro hoje para ganhar as concorrências governamentais fajutas de amanhã. Basta você comparar a lista das agências que tem contas de governo com a lista das agências que tem as maiores contas das empresas mais competitivas e lucrativas do mercado. A propaganda política, que só serve pra confundir e enganar você é paga com o seu próprio dinheiro, depois da eleição. Hum…que cheiro é esse? Parece queijo camambert…mas não é.
O prefeito de São Paulo é uma figura muito importante na sua vida e na minha. Tanto quanto um bom médico, não? Você acha que seria inteligente escolher o seu médico pela propaganda? “Dr. Zerbini. Cardiologista. O velhinho do coração.” “Dr. Jairo. Urologista. O seu negócio em boas mão.” “Dr. Raul. Oncologista. Nem parece câncer.” “Dr. Aníbal. Cirurgia Plástica. Grande promoção: na compra de duas próteses de silicone leve uma terceira grátis.”
Ao contrário de muitos publicitários eu não acredito que a propaganda seja sempre uma coisa boa. Acho excelente que tenham banido a propaganda de cigarros. E espero que a propaganda política tenha o mesmo fim.
Essa semana eu estava conversando sobre os lançamentos que a Apple fez na terça-feira com meu amigo Giuliano César, que é uma espécie de Google humano — parece saber tudo que existe pra se saber ou pelo sabe causar esta impressão, o que dá na mesma.
Como sempre, entre nós applemaníacos, sempre há uma grande expectativa quando o Steve Jobs, CEO e cabeção por trás da Apple, anuncia que ele bolou mais alguns produtos irresistíveis para nos separar do nosso rico dinheirinho. Aliás, essas sessões de lançamentos da Apple são uma espécie de assalto previamente anunciado em que o ladrão avisa: “Vou te roubar daqui a um mês.” Porque é assim que eu me sinto. Quando eu vi o iPhone a primeira vez, fiquei muito chateado. Sabia que mesmo tentando resistir não demoraria muito até que Steve mais uma vez tomasse minha bufunfa na mão grande. Como aquele português que vê a casca de banana no chão e diz pra si mesmo: ” Oh raios! Vou cair de novo!”
Um dos motivos que torna os produtos da Apple tão irresistíveis pra mim é a qualidade do design: simples, inteligente, discreto, de bom gosto e objetivo. Do adesivo branco com a maça mordia até a nova linha de iMacs, a empresa de Jobs cuida pra que cada emissão visual da companhia tenha a mais alta qualidade. O design de produtos dos caras é realmente impressionante. Ou era até eu conversar com o Giuliano.
Ele contou pra mim que o pessoal de design da Apple, que não é bobo nem nada, tira muito da sua “inspiração” do trabalho de um designer alemão chamado Dieter Rams, que desenhava produtos para a empresa de eletro-eletrônicos alemã Broun no século passado. Aí perguntando pro outro no outro Google (aquele que mora na barra do navegador) achei alguns exemplos de trabalhos do Sr. Dieter. Digamos que dizer “totalmente copiado” não seria uma expressão errada para se usar quando se olha o trabalho de Rams ao lado dos lançamentos da Apple.
É o que eu sempre digo: pra andar pra frente é preciso olhar atentamente pra trás. No site do Design Museum de Londres tem uma lista dos 10 princípios de design usados por Dieter Rams:
1. O bom design é inovador.
2. O bom design torna um produto útil.
3. O bom design é estético.
4. O bom design nos ajuda a entender o produto.
5.O bom design não é invasivo.
6.O bom design é honesto.
7. O bom design é durável.
8. O bom design é consequente nos mínimos detalhes.
9. O bom design se preocupa com o meio ambiente.
10. O bom design é o menos “design” possível.
Aproveitei e já procurei no Google pra você algumas imagens. O Giuliano infelizmente ainda não faz busca de imagens.
Minha querida amiga Ana Paula Marques mandou esse link pra me mostrar o tipo de filmes que ela gosta. Foi ao ar nesse último Super Bowl, o intervalo comercial mais caro do mundo. Na minha opinião, que é a mesma da Ana, dinheiro muito bem gasto. Tem também um site onde as pessoas podem fazer suas versões do comercial. Tem umas muito boas. Enfim, uma campanha simples, curiosa e verdadeira que fala que uma mancha na camisa não é só uma mancha na camisa.