Pop Prop

Quem vai desligar o respirador da música pop?

Agosto 6, 2008 · 4 Comentários

Muita gente acha equivocadamente que Vinícius de Moraes gostava de poesia. Vinícius gostava é de mulher. Poesia era uma coisa que ele usava pra conquistar as mulheres. Quando veio o tempo em que a música popular era uma melhor ferramenta de conquista, ele rapidamente virou músico popular. Se ele gostasse mesmo de poesia teria passado a vida na biblioteca, em vez de enchendo a lata com as gatinhas.

Houve um tempo em que um sujeito se sentava na mesa de um bar e falava com cara de angustiado: “Eu sou poeta.” e imediatamente a mulherada se imaginava sendo assunto principal de peças literárias de exaltação erótica e moral — e conseqüentemente com tesão. Hoje, o cidadão diz “Eu sou poeta!” e a mocinha responde “Parente da Patrícia? Aquela da Globo? Eu tenho uma amiga que é prima do Wagner Montes. Cê é o que dela?”

O declínio de uma forma de arte tem direta correlação com a sua capacidade (da forma de arte) de ajudar o artista a se dar bem sexualmente. Não importando o que isso queira dizer, visto que artistas são notoriamente inventivos nesse quesito também. Ninguém disputa a importância artística da música clássica mas vá você tentar se dar bem com essa letra por aí. Até você conseguir explicar a importância do segundo contra-fagote pra moça ela já foi dançar com um amigo surfista.

Eu, como a tartaruga do Kung-Fu Panda, sei que o presente tem esse nome porque é uma dádiva. Por isso, contemplando o fim da importância da música pop como forma de arte, não sinto dó. Antes dela faleceram a poesia, as artes plásticas, a ópera e tantas outras formas que uma pessoa tem de tentar dormir bem acompanhado. É óbvio que como no caso de todas essas outras formas de expressão sempre haverá um nicho de pessoas interessadas que vão manter a música pop viva. Até o funk carioca tem fãs e defensores.

Podemos falar abertamente então: não é você que está ficando velho. As bandas de hoje em dia realmente não importam. O que  fazia a música pop ser tão importante pra nós era o gargalo de distribuição. Quando só havia um Sex Pistols que não sabia tocar mas tinha muita “atitude” a gente achava legal pois pensava: “Pô, eu bem que podia ser um retardado desses aí!”. Para ser um milionário com um estilo de vida dionísico só eram precisos 3 acordes e muita atitude. Agora que todos os Sex Pistols do mundo podem mostrar seu visual chocante e seu som horrível no myspace, nenhum deles importa. A Inflação de artistas desvalorizou essa arte até a morte por irrelevância. Resta saber o que o gênio Vinícius faria hoje pra ir embora do bar abraçando algo mais curvilíneo do que o Tom Jobim?


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4 respostas Até agora ↓

  • Thiago // Agosto 7, 2008 às 8:59 am | Responder

    Eu ando pensando em partir pro clássico…

    Mas, deixar o clássico mais pop, mais redondo, Pelé agora diria: Entende?

    Topa fazer uma lista de enviados pra Marte?
    Vou te mandar 5 nomes por e-mail, daí vamos completando aos poucos.
    Vlew.
    Sinto que vai dar todo mundo lá em Marte, sei lá porquê, hehehehe….

  • Dante (E.B.G.) // Agosto 7, 2008 às 9:08 am | Responder

    Concordo em gênero, número e grau. Sou escritor, mas, depois de ver minha musa se casar com outro, há 1 ano (http://cartaspracarol.blogspot.com), sinto hoje que perdi quase completamente aquela inspiração que tinha para escrever. Você está coberto de razão, meu caro. Quanta saudade tenho daquele tempo em que se namorava por cartas…

  • Doda // Agosto 7, 2008 às 10:35 pm | Responder

    mas seguindo a [planner mode on] nichificação [planner mode off] de qualquer coisa que ocorre hoje em dia, podemos dizer que quem faz pop ainda come mulher, mas não mais centenas, milhares ou supermodelos e sim algumas das 13 ou 18 gordinhas-indies que deram um play no myspace do cara.

    analisando friamente, para as perspectivas sexuais limitadas da maioria dos manés que resolvem montar banda, ainda é um excelente negócio.

  • > imagem é tudo « FREEKO // Agosto 7, 2008 às 11:26 pm | Responder

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