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Entradas do Junho 2008

Meu saquinho de perguntas óbvias.

Junho 26, 2008 · 11 Comentários

Existem perguntas que de tão óbvias nunca são feitas. Mas que se fossem feitas talvez produzissem um choque de lucidez. Ao pensar sobre elas você vai ver que tem sempre um toque de corrupção viabilizando a pequena loucura e falta de sentido em cada uma delas.
1. Porque um estreante pode dirigir a Seleção Brasileira mas não pode dirigir a CBF?
2. Como é que o pessoal do exército encontrou em questão de minutos alguns traficantes pra matar os 3 rapazes da Providência e não encontra nunca nenhum pra prender?
3. Se até um drogado acha os traficantes, porque a polícia não consegue achar?
4. Se o combate ao crime pode contaminar o exército como é que não contamina a polícia?
5. E se a polícia está contaminada quem me garante que não é ela que está abastecendo os traficantes?
6. Porque o governo em vez de fazer uma TV estatal não faz uma construtora estatal, já que o gargalo da economia brasileira é de infra-estrutura e não de entretenimento?
7. Porque é que você não pode tirar uma cópia autenticada de uma cópia autenticada de um documento?
8. Se o cartório não confia numa cópia autenticada, por diabos você deveria confiar?
9. Por que os donos de puteiro são chamados pela imprensa de “empresários da noite” e os donos de boca-de-fumo não são chamados de “empresários da descontração”?
10. Porque criminosos e políticos são comumente conhecidos por seus vulgos e não pelos nomes próprios?
11. Porque não ensinam história direito pras crianças aprenderem desde cedo que o mundo é injusto, brutal, perverso e que elas precisam aprender a se defender o mais rápido possível?
12. Porque não fiscalizar agressivamente todas as agências de publicidade que fazem campanhas eleitorais se todo mundo sabe que elas são pagas com contas do governo conquistadas em licitações fajutas logo depois da eleição?
13. Porque é que não se usa a Internet pra acabar com a burocracia?
14. Porque é que a aeromoça insiste em nos ensinar procedimentos de emergência em caso de queda do avião quando todo mundo sabe que se safar de uma queda de avião é pura sorte?
15. Porque é que o Brasil acha que vai chegar a algum lugar no comércio internacional sem um exército poderoso por trás como todos os outros países que estão por cima?
16. Quem é que analisa o risco de corrupção nas empresas que analisam o grau de risco dos países?
17. Porque nenhuma revista dessas que fingem ser investigativas e chegam na banca aos domingos investiga a fundo os partidos políticos, seus membros e sua formação, já que toda mutreta começa ali?
18. Porque vincular uma receita variável a um gasto imponderável como faz a proposta da CSS quando isso é claramente uma idéia que não funciona, nem nuca funcionou em nenhuma instância da vida econômica através dos séculos?
19. Porque é que pra arrumar emprego público é preciso ter ficha limpa e pra se eleger para um cargo público não é?
20. Porque continuar perguntando?
Por que as perguntas mudam mais o mundo do que as respostas.

Não deixe de postar as suas perguntas óbvias aqui nos comentários pra gente ver a que tamanho essa lista chega.

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A máquina do som

Junho 25, 2008 · Deixe um comentário

Para quem se pergunta que trilha é essa do vídeo do making of da bota gigante da Melissa + Zaha Hadid a resposta é esta: “A Máquina do Som”, faixa do album “Papagaios’s Fever” do Che que está sendo lançado no Brasil pela YB Music nos próximos meses além de Espanha, França e Japão na sequência. Vale uma visitinha a página dele no myspace.

O CD, todo baseado na disco music brasileira da virada dos 70 para os 80 tem participação de Zady Zu, Mister Sam, Wiliam Magalhães, Lupa Mabuze e Nelson Motta entre outros.

Foras as letras em inglês de puta (dialeto pouco conhecido da língua inglesa  usado por garotas de programa cariocas de com estrangeiros) escritas por este que vos bloga.

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Melissa + Zaha Hadid — Making Of

Junho 21, 2008 · 2 Comentários

Imperdível vídeo em animação time-lapse dos 4 meses de trabalho precisos pra fazer a bota gigante.


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A solução para o trânsito de São Paulo.

Junho 21, 2008 · 2 Comentários

A solução definitiva para o trânsito em São Paulo não é melhorar o fluxo de veículos e sim parar tudo de uma vez. Não é sacanagem não. Acompanhe meu raciocínio. Pedir pra prefeitura encontrar a solução para o trânsito na cidade é como pedir pra molecada da 2º série do ensino fundamental descobrir a origem do universo para feira de ciências daqui a uma semana. Um problema desproporcional às ferramentas que existem para resolvê-lo.

Por outro lado, se tem uma coisa que se pode esperar do governo no Brasil, em todas as esferas, federal, estadual, municipal ou rodoviária, é que ele atrapalhe as coisas. Por isso,  parar completamente o trânsito de São Paulo de uma vez por todas seria uma tarefa muito mais viável do ponto de vista prático do que tentar fazê-lo andar. E assim resolveriamos muitos de nossos piores  problemas.

Primeiro o da poluição. Com a cidade completamente parada não seria necessário manter os carros ligados (já que eles não iriam a lugar nenhum) melhorando a qualidade do ar da cidade abruptamente. Além disso, com as ruas tomadas por carros parados, quem quisesse ir a algum lugar teria de fazê-lo caminhando ou de bicicleta, ou lutar como um gladiador sanguinário por um lugar nos poucos trens e metrôs dos quais dispomos, já que os ônibus também estariam parados. Com isso o número de pessoas sedentárias diminuiria e junto  os casos de infartos e AVCs poupando milhões a pasta da Saúde.

Em breve, todos perceberiam que precisariam se mudar pra perto de onde trabalham e os carros parados passariam a ser alugados como dormitório (o que no caso de quem mora numa favela na periferia pode representar até um upgrade). Banheiros coletivos instalados em lugares chave resolveriam o resto. Os carros parados também resolveriam o déficit de moradias na cidade acabando com o problema dos sem-teto.

Para levar alimentos, remover pacientes de emergências médicas e resolver outros casos de primeira necessidade seriam usados helicópteros alugados (já que temos a maior frota particular do planeta aqui mesmo) garantindo uma renda pros ricões e o bom funcionamento da cidade pro restante. Os ricões que insistissem em sobrevoar o problema como sempre, participariam de uma ação promocional da Red Bull em que baterias anti-aéreas operadas por populares tornariam seu trajeto bem mais aventuroso.

Nesse novo ritmo, o ritmo de quem vai pé, teríamos de conviver muito mais, aumentando nosso networking de amizades e parceiros de negócios, fazendo a economia prosperar. Aproveitariamos para dar uma limpadinha na cidade. Assaltos continuariam comuns mas as fugas se tornariam impossíveis. Seqüestros-relâmpago acabariam de imediato pela impossibilidade de levar qualquer um no porta-malas a qualquer lugar. Depois de um grosseiro aumento dos linchamentos, a paz se estabeleceria.

Os que não aguentassem a situação seriam convidado a se mudar pra Santos, Campinas, Jundiaí e muitas outras excelentes cidades vizinhas. Os que aguentassem poderiam ver São Paulo renascer mais próxima, solidária, ecologicamente correta, saudável e alguns arriscariam até dizer, heróica.

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Melissa + Zaha Hadid — a construção

Junho 17, 2008 · 4 Comentários

Como é que se transforma um arquivo em 3D em um objeto gigante, do tamanho de um carro, seguindo proporções milimétricas? Assim ó:

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Zaha Hadid é pezão.

Junho 15, 2008 · 5 Comentários

Pra lançar as novas botas da Melissa desenhadas pela mais renomada arquiteta do mundo, Zaha Hadid, ao invés de fazer anúncios a Casa Darwin (leia-se eu e o Márcio) resolvemos mandar fazer um par de botas de 4 metros de altura. Decidimos que a escala arquitetural seria a maneira mais bacana de realçar a qualidade do design e de demonstrar a quantidade de arte e talento que este lançamento continha. Aqui tem umas fotos do dia da instalação, 15 de junho. Quem brilhou foi no projeto foi o César Cabral, da Coala Filmes que topou a bronca de reproduzir em escala monumental o arquivo 3D da arquiteta. Levou quase 4 meses de trabalho (parecia o Overhaulin’) mas tá aí ó. Se puder, vá visitar: Rua Oscar Freire, 827, em São Paulo.

Casa Darwin cria bota gigante para lançar  Melissa + Zaha Hadid

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Os piores presentes para o Dia dos Namorados.

Junho 11, 2008 · 3 Comentários

Todo mundo que namora sabe que comprar o presente no Dia dos Namorados é uma roubada sem fim. Se você comprar um presente muito caro, pode parecer que gosta demais, desvalorizando seu passe como outro significativo, além de causar constrangimento quando ela abre o iPhone e você a meia Lupo marrom clara. Se compra um presente vagabundo, a popular “lembrancinha”, se arrisca a ser acusado de desvalorizar seu amante. Mas pior do que isso tudo é dar um presente que agride ou ofende seu namorado ou namorada. Por isso elaborei essa imprescindível lista com os piores presentes para o Dia dos Namorados.

1.    Um pé na bunda.
2.    Um kit de depilação.
3.    Talco para os pés.
4.    Um tratamento dentário.
5.    Um telegrama surpresa sem graça.
6.    Um telegrama surpresa sem graça em que a surpresa é um sequestro relâmpago.
7.    Um bafômetro.
8.    Uma balança.
9.    Uma cópia do livro “Memórias de um cabo de vassoura”.
10.    Flores lindas e um cartão com o nome errado.
11.    Uma discussão positiva sobre a relação.
12.    Cópias da chave de casa com o carnê do IPTU.
13.    Uma noite num motel na Cracolândia.
14.    Uma feijoada a luz de velas.
15.    Uma aula grátis de lambaérobica.
16.    Um colete postural.
17.    Um passe de macumba.
18.    Um pacote econômico com 12 unidades de sabonetes íntimos.
19.    Uma dica de como se comportar em público.
20.    Um espelho que emagrece.
21.    Uma viagem romântica a Cubatão.
22.    A coleção completa de DVDs da Xuxa.
23.    Ingressos para uma leitura dramática de “Pluft o Fantasminha”.
24.    Um poema rimado em “unda”, “eta”, “ralho” ou “ica”.
25.    Um furo na visita íntima no presídio.
26.    Um pônei sem uma fazenda junto.
27.    Um vale-refeição.
28.    Uma lápide personalizada.
29.    Uma cinta modeladora abdominal.
30.    Um saco de papel com dois furos nos olhos.
31.    Um anel de noivado semi-novo garantido.
32.    Um formulário de alistamento da Legião Estrangeira.

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Estaria São Paulo encolhendo?

Junho 5, 2008 · 3 Comentários

Dezoito anos atrás, eu me mudei de uma cidade pequena, chamada Rio de Janeiro, pra única cidade grande do Brasil, São Paulo. Apesar de nascido paulistano, passei grande parte da infância e juventude no interior, mais especificamente na Zona Sul da capital carioca. Com 21 anos mudei pra cá e daqui não pretendo sair tão cedo.

Outro dia, lendo uma matéria sobre os moradores do Tatuapé, que de lá também não saem tão cedo, constatei subitamente que já não morava mais na metropole. Tinha me mudado pra uma outra cidade e só estava me dando conta disso naquele instante. Morava agora numa cidadezinha dentro de São Paulo chamada Vila Madalena. Conheço os taxistas, os vizinhos, sei quem trabalha onde e com o que, onde se compra isso e aquilo, como se chega aqui e acolá, que bar é novo e que restaurante fechou, vou a pé pro trabalho e falo bom dia pra muita gente. Muito diferente de 18 anos atrás.

Quando eu mudei pra São Paulo fui logo morar com uma gostosa. Pena que ela tinha 74 anos e era minha avó. Dividíamos um quarto e sala em frente a Estação da Luz pré-limpeza étnica do Matarazzo. Um lugar absolutamente feio e hostil. Mas eu adorava. Porque a cidade grande é aquela onde você é tão pouco importante que tem o direito de ser qualquer coisa, inclusive você mesmo. A cidade grande é uma batida de carro entre todas as culturas, desejos, gêneros sexuais, orientações religiosas e estéticas. É como uma feijoada: o sabor do caldo está na soma das partes estranhas.

Tanto que meu amigão Ricardo Freire, que se não fosse um gênio seria como eu e você, é contra casas em São Paulo. Ele diz que cidade grande tem que ter só prédios, que ocupam menos espaço e obrigam a convivência forçada. As casas, segundo ele, criam bairros planos e distância entre as pessoas, as coisas e os lugares. E isso é contra a existência da cidade grande.

Acho que ele tem razão. No meu caso, com a idade e a família crescendo, acabei procurando uma micro cidade dentro da cidade. Mais pacata como a vida que eu queria levar. Mas e quem está chegando agora como eu cheguei em 1990?

A violência que não nos deixa caminhar de madrugada e o trânsito que nos desmotiva a sair do próprio bairro estão encolhendo a cidade grande. Criando um monte de guetos, ricos e pobres. A cidade acontece nos encontros e São Paulo deveria ser gerida para provocá-los. Quando a cidade grande encolhe encolhem junto os sonhos que transformamos em nossas vidas.

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