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Entradas do Março 2008

O que é melhor: ser a cabeça da lagartixa ou o rabo do Godzilla?

Março 27, 2008 · 2 Comentários

Anos atrás, um amigo meu lançou a seguinte teoria: todo mundo que tem um Mercedes Classe A é meio esquisito. “Pode olhar,” ele dizia. “Quando passar um Classe A, fica olhando e me diga se o motorista não é meio esquisitinho.”

A princípio eu achei que quem estava muito esquisitinho era o meu amigo, mas, você sabe como são essas coisas, logo comecei a reparar.

Note que “esquisitinho” não é uma definição firme e clara, como feio, burro, chato ou com cara de cocô mole. “Esquisitinho” é um adjetivo camaleônico, que permite a cada esquisitinho ser esquisitinho do seu próprio jeito. Não é bom nem ruim. É esquisitinho. Por isso ficava difícil dizer o que é que todas aquelas pessoas pilotando seus Mercedes Classe A tinham em comum. Comecei a achá-los meio esquisitinhos.

Até que um dia, a minha queridíssima e nada esquisitinha amiga Antoniela do Canto (a.k.a. Toty) apareceu com um Mercedes Classe A. Quando fui andar no carro dela, me senti num daqueles seriados em que a terra está sendo invadida por alienígenas que estão tomando os corpos de pessoas conhecidas mas que só você repara que eles são aliens. Estaria Toty se tornando esquisitinha sem que eu percebesse? Não, isso não era possível.

O fato é que não só a Toty não ficou nada esquisita como logo o Mercedes Classe A se juntou ao Apollo e ao Verona na “Terra do Pé Junto” automobilística e foi tirado de linha.

Eu adoro carros e posso garantir que não havia nada de errado com o Classe A fora a marca Mercedes-Benz no capô. Tanto que a categoria dos monovolumes criada por ele se tornou um tremendo sucesso. O Honda Fit, o Fiat Idea e o VW Fox entre outros aprenderam tudo o que sabem com o Classe A.

O problema do Classe A é que no fundo ele era a pior Mercedes do mundo. E todo mundo sabe disso. Como também sabe que ninguém quer ter o pior que uma marca de luxo tem pra oferecer nem o melhor que uma marca popular tem pra vender. As marcas, quando bem administradas, são como pessoas: há um limite para o que aceitamos que elas façam. Quando se passa do limite é preciso criar uma outra marca, como fazem as empresas de moda. Não aceitamos um carro popular da Mercedes-Benz como não aceitaríamos o Porsche Mille, (ou como sugeriu um leitor) o Lada Testarossa ou o Fusca Diablo.

O Classe A, por ser um carro muito bom acabava vendendo, graças aos seus múltiplos atributos racionais (responsáveis por inventar uma nova categoria). Mas no fundo, as emoções é que mandam na hora das compras, e elas nos diziam: nós preferimos ser a cabeça da lagartixa do que ser o rabo do Godzilla. A gente estranha quem compra com o cérebro e não com o coração. O ideal, como sempre, é saber usar os dois. Se não, podem achar você meio esquisitinho.

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As coisas que eu aprendi na vida de outra pessoa.

Março 23, 2008 · 1 Comentário

Esta semana eu levei um soco na cara de um sujeito chamado Stefan Sagmeister.
Estava eu lá trabalhando num projeto com meu amigo, Renato Amoroso, aquela conversinha mole voando sobre as telas dos computadores enquanto cada um fazia o que tinha de fazer, até que o papo se encaminhou para o tema: “artistas plásticos que a gente gosta”. O Renato disse: Eu gosto muito do Sagmeister.
Eu disse: A mãe de quem?
Ele disse: Stefan Sagmeister, cê não conhece? Tem um livro ali ó.
Peguei o livro, cujo título em inglês dizia; “As Coisas que Aprendi na Minha Vida Até Agora.” De cara, ficou claro que o Sagmeister é um designer e artista formidável (confira no: www.sagmeister.com) com um trabalho gráfico belíssimo, inventivo e divertido. Neste livro ele escreve as coisas que aprendeu na vida até agora de modos surpreendentes, montando as palavras com os mais diversos objetos e colocado-as em cenários inusitados.
Mas o que me derrubou foi a honestidade da lista de coisas que ele aprendeu até agora. Se você lê sempre a coluna sabe que eu gosto de listas. Essa lista me acertou como um direto no nariz.

1. Reclamar é besteira. Faça algo ou esqueça.
2. Viver pensando que a vida vai melhorar no futuro é besteira, eu tenho que viver agora.
3. Não ser verdadeiro funciona contra mim.
4. Ajudar outras pessoas é algo que me ajuda.
5. Organizar uma caridade é surpreendentemente fácil.
6. Tudo que eu faço acaba voltando pra mim.
7. Drogas são muito legais no começo mas depois ficam um saco.
8. Com o tempo eu me acostumo com tudo e acabo achando tudo banal.
9. Dinheiro não me faz feliz.
10. Viajar sozinho ajuda a ter novas perspectivas sobre a vida.
11. Manter um diário garante meu desenvolvimento pessoal.
12. Se preocupar não resolve nada.
13. Tentar parecer bonito limita minha vida.
14. Luxos materiais são mais bem aproveitados em pequenas doses.
15. Ter coragem sempre funciona a meu favor.
16. Ser presunçoso é sufocante.

Ainda na lona, pensei que todo mundo deveria fazer uma lista dessas. Parece fácil a primeira vista, mas tente fazer a sua e vai ver que não é. Tente escrever em frases simples, sem enganação, uma listinha das coisas que você realmente acredita e que aprendeu sozinho. Além disso, feita a lista, você teria coragem de mostrá-la pra todo mundo? Mais ainda, com a lista em mãos, você teria coragem de viver de acordo com as coisas que você mesmo escreveu nela? 10, 9, 8, 7 ,6, 5, 4, 3, 2, 1, nocaute.

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Stefan Sagmeister: o design pode nos fazer felizes?

Março 19, 2008 · Deixe um comentário

Essa semana o Renato Amoros me apresentou um livro desse cara chamado “As coisas que eu aprendi até agora”. Os médicos continuam tentando costurar meu queixo de volta no lugar. Tire 15 minutos da sua vida pra ver porque vale a pena.

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Imogen Heap – Just For Now (live at Studio 11 103.1FM)

Março 13, 2008 · 1 Comentário

Mais uma contribuição da nossa editora de vídeos Renatinha Leão.

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TV pública e banheiro público: algo sempre cheira mal.

Março 12, 2008 · 2 Comentários

O Senado aprovou nesta terça-feira a criação da TV Brasil em tumultuada sessão, que durou mais de oito horas. Sabe aquela história de que para os cachorros, cada ano de vida humano representa 7 anos de vida deles? Pois é, com políticos e trabalho também é assim: de tão pouco acostumados ao batente, eles sentem cada hora de trabalho deles como se fossem 7 horas de trabalho humano. Ou seja, 8 horas de trabalho deles são como 56 horas, nossas!

Mas no fim das contas o esforço dos Senadores valeu! Finalmente teremos uma emissora de TV a altura dos nossos hospitais, estradas, presídios e forças polícias. Uma emissora tão divertida quanto uma visita ao cartório e tão excitante quanto uma sessão da assembléia legislativa estadual de Alagoas.

Como vítima de mais essa tentativa de tributicídio (a morte por excesso de tributação indevida para gastos estapafúrdios) gostaria de sugerir algumas atrações que poderiam pelo menos gerar alguma audiência.

Que tal o “Big Brother Presidente Bernardes” onde os mais perigosos brasileiros tentariam eliminar uns aos outros de verdade. As festinhas, drogas, telefones secretos e festas do edredom já rolam normalmente, então o custo de produção seria baixo. Além de ter um elemento de “O Aprendiz” pois lá são todos homens de negócio. O vencedor poderia ganhar um assento perpétuo numa das casas do congresso, tendo provado em rede nacional sua capacidade de liderança, iniciativa, tino político e empresarial.

Outra atração bacana poderia ser “Hospital Federal”, uma mistura das séries dramáticas americanas como “E.R.” e “General Hospital” com aqueles jogos de sobrevivência como “No Limite”. “Aqui, uma simples unha encravada pode ser seu fim,” diria a chamada.

Não podemos esquecer de “Rota 666 e o Caveirão”, uma mistura de série de terror e seriado policial. Um toque de “Resident Evil” com “Starsky e Hutch” e nuances de “Cidade Alerta”. Aqui, acompanhamos os périplos de uma viatura das Rondas Ostensivas Tobias Aguiar e seus fiéis parceiros do Veículo Blindado do BOPE carioca em incursões pelas mais distantes quebradas e favelas do Brasil. Com direito à sangrenta luta contra garotos de 14 anos e cachorros desavisados.

Um programa que poderia mudar o Brasil seria “Meu padrinho” onde acompanharíamos os apadrinhados dos políticos nas estatais dia e noite, inibindo-os de ajudar com atos de legalidade duvidosa seus padrinhos políticos. Poderíamos poupar bilhões e bilhões com esse simples programa.

Ah! E criei um slogan que ninguém pode contestar: TV Brasil Melhor que pedra nos rins.

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Quem passa no vestibular para terrorista?

Março 6, 2008 · 2 Comentários


Eu sou o maior inimigo da “Guerra contra o Terror”. Não por causa da parte guerra. Guerra é um negócio que sempre vai ter enquanto existir mais do que uma pessoa no planeta. Também não me incomodo com o fato de uma superpotência querer roubar pra si todas as riquezas do mundo através da violência própria e de seus parceiros. Porra, eu vi a série “Roma”, da HBO. Essa história é manjada. A parte do terror, por sua vez, também não me apoquenta. Eu saco perfeitamente qual é a dos caras que tacam bomba de volta nos outros.

Não que eu concorde com nenhuma das partes. Muito pelo contrário! Mas eu consigo vislumbrar os interesses mesquinhos, racistas, genocidas e violentos que os motivam. É como Shakespeare, só que mal escrito.

Na verdade, o que me emputece profundamente é a maneira tosca e preguiçosa com que o jornalismo cobre essa desgraça toda. Me irrita a imprensa mundial me tratar como imbecil todo santo dia.

Porque a “Guerra contra o Terror” é uma idéia tão obviamente falsa, tão infantil na sua má intenção, tão mentecapta, que ofende a todos que aceitam-na como natural. Até a minha cadela, a Zelda, sabe que é impossível vencer ou perder uma guerra contra uma abstração. O que você diria se lesse no jornal que os EUA estão em guerra contra o amor, em guerra contra o mal-olhado ou até mesmo em guerra contra o baixo-astral? A expressão é só um “tema” para justificar todo e qualquer ato de violência da potência e dos seus brothers. Então porque é que a gente aceita ler no jornal essa idiotice sem reclamar?

Hoje, quando um soldado do Hamas dispara um míssil contra um território ocupado por Israel, matando uma criança, a notícia que sai publicada é: “Míssil terrorista mata criança Israelense”. Mas a notícia certa deveria ser: “Guerra de colonização Israelense faz nova vítima”. A notícia não costuma incluir que o Hamas começou sua história financiado por Israel para minar o poder de Yasser Arafat, nem que o míssil caiu num território ilegalmente ocupado e colonizado por Israel (contrariando resoluções da ONU que só valem pra quem não é da patota, vide o Iraque).

Some-se a isto a idéia de que não é o ato de terror em si que faz o terrorista. É o jornalista que decide quem passa neste vestibular. Porque é que quando um piloto de helicóptero Israelense mata 8 crianças palestinas com seu míssil Hellfire (que não erra a pontaria) ele é chamado de soldado e não de terrorista? E um soldado do Hamas, partido democraticamente eleito pelos palestinos e portanto no exercício legal do poder, devolve na mesma moeda ele é um terrorista e não um soldado?

Agora que a guerra pelo controle do petróleo está chegando à nossa fronteira, é bom você começar a prestar atenção. Antes que você acorde com alguém te chamando de terrorista.

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Blaise Aguera y Arcas demonstra o Photosynth

Março 2, 2008 · 1 Comentário

O Photosynth é um programa de  visualização que cria ambientes 3D a partir de matrizes 2D como fotos.  Neste vídeo, o inventor do software faz uma demonstração com a Catedral de Notre Dame, refeita como objeto 3D a partir de fotos retiradas do Flickr. Sensacional.

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