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Entradas do Janeiro 2008

A vitrine viva

Janeiro 31, 2008 · Deixe um comentário

Semana passada eu fui de férias pra praia do Espelho da Maravilha, na Bahia. Tô eu lá, naquele esquemão chinelão-bermudão-repelente, quando ao entrar na pizzaria local, me deparo com meu amigo Nasi, vocalista do Ira! com um bronzeado “da bexiga”, como definiriam os locais. Todo cheio de colares, com sua linda filha adolescente por perto, parecia mais um simpático e cooperativo mafioso relocado pelo programa de testemunhas do FBI do que o cantor de rock mais cantor de rock do Brasil.

Fazia tempo que a gente não se via, pois como eu já disse outro dia, esse negócio de trabalhar atrapalha muito a amizade. Batemos o maior papo. Ele me contou as desventuras que passou recentemente com a dissolução da banda, inclusive com uma tentativa de interdição, arquitetada, segundo ele, pelo irmão e ex-empresário pra evitar uma devassa nas contas da banda. Acabamos combinando um jantar na casa dele dali a uns dias.

A casa do Nasi no espelho é simples e linda, feita por Sérgio Bermudes no estilo próprio do sul da Bahia: o “Sans Frescure”. O estilo é marcado pelos pisos cimentícios coloridos, vigamento em madeira e telhados de telhas de barro grandes feiras na região. Sentamos em esteiras de palha sobre a grama do quintal, ao redor de uma mesa baixa no meio do jardim, eu, minha mulher e um casal de amigos adoráveis, Beny e Andreia. Beny é um psiquiatra top de linha e Nasi logo engatou com ele um papo animado sobre o lado rock n’roll da psiquiatria: o tipo que leva pessoas a serem interditadas e coisa e tal. Casos que normalmente tem como foco não a saúde mental dos pacientes mas alguma disputa sobre dinheiro em família.

Depois do spaguetti espetacular que preparou, Nasi lançou: “E o Obama? Vai ganhar?” E durante a animada conversa que se seguiu eu cheguei à algumas conclusões.

Essa é a primeira eleição americana da história em que a Internet pode fazer o seu papel. Na última ela ainda não estava a pleno vapor. Nunca tantas pessoas trocaram tanta informação de tantas maneiras diferentes na história da humanidade. A Verdade fica cada dia mais difícil de abafar. A memória curta do povo, nossa memória coletiva, agora tem nesse acervo eletrônico um base de consulta permanente. Essa nova era do conhecimento esta ferrando de verde e amarelo os publicitários e marqueteiros da velha guarda. Hoje, as pessoas não querem mais ser docemente enganadas. Querem estabelecer relações verdadeira e duradouras com suas marcas, seus políticos e até seus cantores de rock. Graças a ela, Barack Obama tem uma chance de chegar lá e Nasi de contar a sua versão da história. A Internet é a nossa vitrine viva. O verdadeiro espelho da maravilha.

Receita do spaguetti irado ao pommodore e basilico do Nasi.

Serve 4 pessoas

1 pacote de spaguetti.

2 latas de 500g de tomates descascados italianos picados (ele recomenda a marca Divella)

5 dentes de alho espremidos.

5 colheres de azeite de oliva extra virgem e sal a gosto.

O segredo é não refogar o alho. Junte todos os ingredientes numa panela e cozinhe em fogo médio alto durante 40 minutos. O alho acaba cozinhando no tomate e não fica aquela nhaca.

Acrescente manjericão fresco na hora de servir.

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Papagaio’s Fever — A arte esquecida da “disco music” brazuca.

Janeiro 26, 2008 · Deixe um comentário

Sábado foi aniversário do Che, meu amigo do peito. E pra variar, não deu tempo de comprar um presente. Fiquei fazendo mil coisas, resolvendo mil problemas, visitando mil clientes, e comprar presente pro meu amigo que é bom, nada. Então eu resolvi dar esta coluna de presente pra ele. Não é muito — são só 2500 toques contando espaços — mas é de coração.

E você, está pensando: sério? O cara vai tipo fazer um cartão de aniversário pro amigo bem aqui no meio do meu jornal? Eu entendo sua preocupação. Só posso contra-argumentar com sunoro: “Relaaaaaxa paquito.”

É que além de ser meu amigo, o Che é um baterista e produtor musical aclamado internacionalmente pela crítica. O seu primeiro CD “Sexy 70 —Music Inspired by The Brazilian Sacanagem Movies” lançado no Brasil e na Espanha, embasbacou críticos do mundo todo. Uma homenagem sincera e balançada às trilhas das pornochanchadas brasileiras concebida depois que ele tentou lançar um CD com as trilhas originais e deu com os burros na água. O que ele fez? Compôs, tocou, gravou e mixou um CD com trilhas falsas, que acabaram sendo até melhores que as originais. Temas como “Um Grapete antes, um cigarro depois”, “A Babilônia de David” entre outros. E olha que em geral eu prefiro vacina na testa do que música instrumental.

No começo de 2007, Che terminou sua segunda pequena obra-prima: “Papagaio’s Fever — The Lost Art of Brazilian Disco”. O CD já foi comprado por gravadoras que pretendem lançá-lo no Brasil, Espanha, França e Japão. Tem Mister Sam, Lady Zu, letra do Nelson Motta e participação do William Magalhães da Banda Black Rio. As músicas contam a história de um garota de programa carioca e sua vida entre o dia 31 de dezembro de 1979 e 1 de janeiro de 1980. Tive a alegria de ser o letrista desse disco. Mesmo não sendo fluente na língua em que ele é cantado, que é o inglês de puta. Isso explica os títulos de canções como “Hurricane 2000”, “Programa Girl” e “Numa Nice”. Um exercício de comunicação onde o inglês mal falado pode ser o português bem entendido.

A crise do mercado fonográfico fez o lançamento do CD atrasar em mais de 6 meses, com as gravadoras esperando pelo “momento certo”. Por isso o meu presente de aniversário pro Che é convidar, você, pessoa bacana e antenada que lê esta coluna, pra visitar na Internet a página: www.myspace.com/che70 e ouvir antes de todo mundo um pouco dessa maravilha. De quebra, fica sendo meu presente para a outra aniversariante da semana: a cidade de São Paulo, que merece sempre a melhor música.

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Shrek — O Original

Janeiro 20, 2008 · 2 Comentários

image002.jpgDica do amigo Giuliano César: Maurice Tillet, o homem que serviu como referência para os desenhistas do personagem Shrek, nasceu em 1903. Era um homem muito inteligente, falava 14 idiomas, além de ser um exímio poeta e ator. Sofria de uma doença rara, acromegalia, que deformou seu corpo. Devido a doença trocou os palcos pelos exibições de luta livre na década de 40 e 50. Seu nome artístico nos ringues? “O Ogro”.
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Zilda Arns e Fidel. Porque ele ganha um bilhão e ela não?

Janeiro 17, 2008 · 7 Comentários

Fidel Castro é o dono de Cuba, uma pequena ilha caribenha — assolada por furações e pela constante falta de papel-higiênico — que funcionou durante anos como uma espécie de Eurodisney do comunismo (uma filial sem tanta graça quanto a original prostrada de forma esquisita em outro continente). Quando o comunismo acabou, por falta de alegria, Fidel, que não tinha outra profissão, resolveu continuar sendo um déspota homicida.

Hoje, já muito sambado depois de tantas orgias sanguinárias (pra que ser ditador se não se pode fuzilar ninguém?), Castro, faz bico de modelo da Adidas, posando com moletons da marca sempre que pode para completar sua renda. Enquanto está doente, Fidel deixou o seu irmão, que é uma espécie de sósia do cantor panamenho Ruben Blades, como zelador da ilha.

Já, a Dra. Zilda Arns é uma médica pediatra e sanitarista, coordenadora nacional da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa. Dra. Zilda nunca mandou fuzilar ninguém. Aliás, é responsável direta por salvar milhares e milhares de vidas com seus programas contra a mortalidade infantil, além de ter sido indicada ao prêmio Nobel.

Lula acaba de dar um bilhão de reais do nosso dinheiro para quem? Pro Fidel, é claro. Porque não dar pra Dra. Zilda que nunca matou ninguém?


Eu sei que o governo trata o dinheiro dos nossos impostos como se tivesse achado a grana jogada na rua. “Veja, achamos um bilhão! Vamos torrar em picolé!”. Mas dar um bilhão de crédito para o governo de um assassino e torturador contumaz, ditador excêntrico (aqueles moletons não me enganam) e ridículo, que deixa o país nas mãos do irmão na sua ausência (por um segundo, imagine o Brasil nas mãos do irmão do Lula)? Hum, mesmo para os níveis delinqüência governamental a que estamos acostumados parece um exagero. Uma espécie de passada de mão na bunda da moral nacional. Um pula-pirata na dignidade de cada contribuinte.


Por isso, ao invés de reclamar apenas, sugiro uma solução simples e coerente: que a linha de crédito de um bilhão que o Lula está dando pra Cuba seja redirecionada para Dra. Zilda Arns, que supera Fidel em qualquer quesito: da formação acadêmica ao preparo na gestão de programas para os necessitados. Sem falar no detalhe de que ela não é uma criminosa, homicida e egocêntrica.


Se a família real saudita, resolver dar um bilhão pra Cuba, por mim beleza. Monarcas despóticos tem mais é que se ajudar. Agora, o meu dinheiro eu quero de volta. Dividindo um bilhão por 185.994.786 habitantes (contagem de hoje do IBGE), tem aproximadamente R$ 5,38 meu nesse bolo aí. E eu quero um reembolso.

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A sabedoria que só se conquista aos 2 anos

Janeiro 10, 2008 · 9 Comentários

Tem um cara muito louco que mora aqui em casa comigo e com a minha mulher. Ele tem 2 anos de idade e diz pra todo mundo por aí que é meu filho a pesar de que somos absolutamente idênticos. Ele está sempre feliz. Muito feliz. Extremamente feliz. Tanto que resolvi adotar seus hábitos e comportamentos. Segue a lista que preparei e que pretendo seguir com disciplina e rigor para ser muito mais feliz em 2008.





1. Sempre que possível, corra peladão pela casa gritando: “Tô peladão! Ebaaaaa!”

2. Nunca perca a chance de dar um beijinho ou um abraço em alguém que estiver ali, dando sopa.

3. Não tenha medo de puxar conversa com alguém interessante. Aponte para o céu e diga: “Óia! um avião grande!”. Siga conversando naturalmente.

4. Tire uma soneca depois do almoço onde quer que esteja. (Lembrete: menos ao volante).

5. Desenhe no box do banheiro enevoado pelo vapor. Ao concluir cada desenho ou mesmo apenas deixar a palma de sua mão impressa diga: “Ebaaaaaa!”

6. Vire mais cambalhotas. Um mínimo de 3 por semana. Diga: “Ebaaaa!” antes e depois de cada evolução.

7. Pule na cama. Mas não muito perto da beirada. Diga repetidamente”Ebaaa-ebaaaaa-ebaaa!”

8. Minta deslavadamente. Mas nunca em causa própria.

9. Convide todo mundo pra tudo: “Vâmo deitá no chão pessoal?”, “Vâmo tomá suco, pessoal?!”, “Vâmo naná, pessoal?”

10. Acorde bem cedo e berrando à plenos pulmões. Só pare quando alguém vier te abraçar.

11. Tenha medo da sua comida.

12. Acredite nas versões alternativas. Por exemplo: que um trovão pode perfeitamente ser o pum de um elefante voador gigante.

13. Diga “obrigado” e “por favor” sempre, mesmo que fora de contexto.

14. Use o MSN Messenger ou Skype para fazer uma videoconferência com seus avós, durante a qual, dance, corra, vire cambalhotas e identifique interessantes partes do seu corpo como o nariz e a bunda.

15. Mostre o seu pé para as visitas. Olhe de forma atenta e não sem curiosidade para a extremidade e comente: “Ó…o pé.” Depois de alguns segundos de silêncio respeitoso sugira que a visita mostre o pé dela pra você.

16. Convide sua mãe pra passear quando ela menos espera.

17. Encontre as formas ocultas nas coisas: uma torrada que parece um coração, um guardanapo dobrado que parece um pato ou uma luva que parece um cavalo. Diga “Ebaaaa!” sempre que isso acontecer.

18. Quando fizer uma gracinha que todo mundo gosta, repita.

19. Chore rápido e esqueça porque chorou mais rápido ainda.

20. Sinta orgulho das coisas que consegue fazer sozinho mas nunca sinta vergonha de pedir ajuda pra quem você ama.

21. “Ebaaaaaaaa!”

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