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Entradas do Dezembro 2007

O pilequinho de fim de ano

Dezembro 24, 2007 · 3 Comentários

— Nossa, rapaz, o ano passou e eu nem vi.
— Todo ano você diz isso.
— Isso o quê?
— Que o ano passou e que você nem viu. Ano passado você falou isso. Era bom você ir num oculista.
— Oculista?
— Ué, a vida tá passando e você não tá vendo. As vezes é problema de vista.
— Eu não tenho problema de vista. Você é que tem problema de compreensão. Eu não quis dizer que eu não vi o ano passar. Eu vi o ano passar. Eu quis dizer que passou rápido. Que a vida passa e parece que não dá pra acompanhar.
—  Aí é caso de problema no Fast Forward. Eu tinha um vídeo que era assim. Encrespou e passava tudo acelerado. Parecia aqueles filmes do cinema mudo em que todo mundo anda rapidinho e acena pra câmera.
— Do que é que você está falando?
— De Fast Forward. Ou você é que nem aquele deputado lá que passou a lei que tudo tem de ser em português? Tem de chamar Fast Forward de tecla de avanço rápido pra você entender?
— Pelo meu São Benedito! Eu só disse que o ano passou rápido por dizer. Nem pensei muito. Você transforma isso numa discussão maluca.
— Não precisa ofender. Você é que deixa a vida passar sem perceber e eu que transformo tudo em discussão maluca? Você é que está cegueta.
— Você nunca tem essa sensação que você não conseguiu fazer tudo que tinha de fazer no ano? Que ainda faltavam uns 3 ou 4 meses pra conseguir fazer tudo que você pensou que ia fazer este ano?
— Tipo o quê?
— Sei lá. Tipo entrar em forma.
— Porra! Primeiro me chama de maluco. Agora diz que eu tô gordo. Gordo é você, com essa barriguinha aí que parece uma pochete cheia de canhoto de cheque velho. Vou tomar uma decisão pra 2008. Começar o ano revendo as amizades.
— Pra quê isso agora? Não se briga em fim de ano. Fim de ano é época de abraço.
— Boa idéia. Um abraço pra você.
— Como assim?
— Um abraço. Vou embora.
— Mas já?
— Já.
— Fica mais um pouco, porra. A gente acabou de sentar pra tomar o nosso tradicional pilequinho de fim de ano. Cê nem acabou a primeira cerveja.
— Tudo bem, eu fico. Mas você tem de parar com essa história de repetir tudo que você disse o ano passado.
— Ah é? E o que foi que eu disse o ano passado?
— Que o ano passou e que você não viu passar. Que você ia entrar em forma. Que ia ligar mais pros amigos. Que ia ficar mais tempo com seus filhos e menos no celular. Que ia ajudar uma ONG. Que o Corinthians ia ser campeão. Que você ia mandar seu chefe pra aquele lugar. Que ia voltar a tocar violão. E que ia largar esse cigarro aí que você está fumando.
— Você lembra de tudo isso ou tá inventando?
— Tô inventando.
— Porra, eu assustei. Achei que tava ficando com a memória fraca. É a idade. A vida passa e a gente nem percebe.
— Lá vai você de novo.

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Ossário – um grafite reverso

Dezembro 24, 2007 · Deixe um comentário

Quem ainda não viu, precisa ver esse vídeo feito em SP . Quem gosta de grafite como eu sabe que ele nasce de uma necessidade de fazer parte do ambiente me que vivemos. DE humanizar o cinza caéotico da cidade. Quem não conhece e não entende sempre chama de sujeira. O que dizer então deste aqui, que é feito limpando um imundo túnel de SP? Como chamar de sujeira a limpeza? Note que a polícia não pôde prender o grafiteiro pois, de fato, ele estava limpando o túnel. O que fizeram? Mandaram limpar o túnel, até então deixado às traças, só pra não deixar a arte revelar o que talvez fosse um retrato muito fiel do poder público.

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Terrorista traduzido

Dezembro 17, 2007 · Deixe um comentário

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O terrorista morto e o ventríloquo

Dezembro 14, 2007 · 2 Comentários

Mais uma dica da nossa editora de videos Renata Leão. Em inglês, sem tradução infelizmente.

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Papai Noel versus Jesus: quem está levando a melhor

Dezembro 13, 2007 · 2 Comentários

332253414_56951ed225.jpgMuita gente não acredita, mas o Natal já foi uma data que celebrava o nascimento do Menino Jesus — que por sua vez representava o renascimento de todos nós através do amor e da compaixão. O Papai Noel, como todo mundo sabe, representa tudo em até 24 vezes no cartão sem juros. Não é de se estranhar que o bom velhinho tenha triunfado sobre o infante na manjedoura.

A Natividade costuma, ou costumava, ser celebrada pelos presépios, recriações do nascimento do Menino-Deus, que normalmente são compostos por um estábulo com animais diversos, 3 Reis Magos, José, Maria e o Menino. Muita gente acha que aqueles caras de capa são o Parliament Funkadelic, mas são só os reis mesmo. E até que durante o boom do “animatronics”, aqueles bonecos mecânicos que cantam, parecia que o presépio ia manter seu status. Foi ilusão passageira.

Hoje os presépios estão desaparecendo mais rápido que a Mata Atlântica. Em centros de compras por todo país prolifera apenas o habitat natural do Papai Noel — ilhas de madeirite e isopor, que parecem maquetes gigante de versões psicodélicas de Campos do Jordão. Nelas, o velho Santo Nicolau entronado, recebe criancinhas em seu colo ao som de versões dance de jingles natalinos.

“Ho-ho-ho, amiguinho. O que você quer pedir pro Papai Noel?”
“Um Apple MacBook Pro com processador de 2,4Gh, 4 Giga de RAM e 120 Giga de HD.”
” Não serve uma uma bicicleta?
“Eu vou falar pra minha mãe que você me molestou!”
“Vai querer algum software com o computador?”
E assim por diante.

Mas não posso ficar parado aqui vendo os presépios desaparecerem como uma raça a beira da extinção. Por isso consultei experts do marketing que preferem permanecer anônimos por motivos óbvios e coletei uma lista de sugestões para aumentar o valor mercadológico do presépio. Aqui vão suas recomendações:

1. Trocar manjedoura por berço acrílico (modernidade) com interfone (interatividade ) para requisição de presentes (desejabilidade).

2. Trocar animais anônimos por celebridades. Burro do Shrek é uma boa opção. Consultar cachês de ex-BBBs.

3. Trocar Reis Magos por Rainhas dos Baixinhos.

4. Chamar o João Armentano para reformar o estábulo.

5. Obter o patrocínio da Coca-Cola — afinal a roupa que o Papai Noel usa foi criada para um anúncio da marca dos anos 30. Eles não podem ficar de fora desse patrocínio se querem ir pro Céu. Se eles não toparem, ligar imediatamente para o pessoal da Pepsi.

6. Criar proposta de marketing 360º com site, viral no YouTube, ação de promocionamento, ativação com sampling (seria legar ter uns milagres para distribuir).

7. Contratar roteiristas do Lost para dar um tapa no enredo da Natividade: seriam os Reis Magos espiões? Haveria um porta secreta sob a manjedoura? Poderiamos dar poderes paranormais a Herodes, dificultando a fuga da família?

8. Prometer amor, compaixão e tudo em 24 vezes no cartão sem juros.

Ho-ho-ho. Feliz Natal pra todos.

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A alegria de errar

Dezembro 13, 2007 · Deixe um comentário

E não é que o Senado derrubou a CPMF só pra contrariar minhas previsões. Melhor assim.

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Philippe Starck. O melhor design e o pior inglês, juntos como você nunca viu

Dezembro 5, 2007 · 1 Comentário

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Será que o Brasil é o Corinthians do mundo?

Dezembro 5, 2007 · 3 Comentários

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Não se fala em outra coisa: o rebaixamento é o assunto da semana. Em toda parte a tristeza campeia nos olhos dos populares, os corações batem descompassados e a derrota brilha no peito de cada um como uma medalha indesejada.

O que podemos dizer? O que podemos fazer? Essa é a nossa sina, nosso destino — traçado nos tempos remotos de nosso defeituoso nascimento. Uma condição indefectível. Indelével. Fomos rebaixados porque merecemos. Fomos rebaixados porque somos fracos. Fomos rebaixados mais uma vez a nossa condição medíocre e destinada a desimportância. Fomos rebaixados pelos próprios senadores que elegemos pelo voto direto. Pelos senadores que livraram a barra do Senador Renan Calheiros pelo voto secreto (que nasceu para defender-lhes a consciência e hoje é usado para encher-lhes os bolsos) e assim rebaixaram essa instituição tão importante para a série B da história.

Mas não se acomode na cruz porque vem mais por aí. Vamos ser rebaixados novamente, desta vez para série C, de CPMF, cuja votação é conduzida como uma tourada. Um teatro trágico onde todos sabem que o touro deve morrer no final. E a ciranda de senadores, ou melhor, o cirquinho, brinca de “aprova-não-aprova” para as câmeras enquanto espera mesmo para ver o quanto conseguem sangrar o erário. O Brasil não é o país do futebol. É o país da tourada. E nós, amigão, somos gado.

Ah, você achou que eu estava me referindo ao rebaixamento do Corinthians? Pois bem que podia ser. Pois quem não sabia que se envolver com gângsters russos acabaria em tragédia? Quem não sentia o cheiro podre no ar? A imprensa especializada avisou muitas vezes. Só o meu amigo Juca Kfouri, homem da mais alta qualidade, escreveu pelo menos um campo de futebol de linhas sobre a pilantragem que ocorria. Mas o Corinthians é o time do povo. Sua matriz, sua cor, seu genótipo é o mesmo do Brasil. Quem mandou entregar o timão na mão de bandidos? Nós mesmos, os mesmo que votaram nesse senado. Os mesmos que tem de gastar menos do que ganham e deixam um governo, que não produz nenhuma riqueza, esbanjar a nossa como se fosse capim. A tragédia corintiana é apenas um espelho refletindo a tragédia brasileira. Buscamos nosso próprio fim.

Mas não devemos esquecer que os personagens trágicos também são heróicos. Não vamos julgar Aquiles pelo calcanhar. As vitórias do Corinthians ou do Brasil, também serão de todos nós. A questão é pararmos de deixar os bandidos serem os autores da nossa saga. E assumirmos o peso da autoria de nossa própria biografia.

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Pra que serve o amor

Dezembro 4, 2007 · 1 Comentário

Dica da mana Renata.

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