Farroupilha é uma cidadezinha bem pequena no interior do Rio grande do Sul, berço da colonização italiana no estado. Mas nessa pequena cidade nasceram grandes indústrias como a Grendene e a Tramontina. O primeiro cliente da minha agência, a Casa Darwin, vem de lá: as sandálias Melissa.
A Melissa, no fim dos anos 90 deixou de ser um simples calçado plástico para se tornar sofisticado acessório de moda, cobiçado no mundo todo: da Oscar Freire à St Honoré, em Paris. Alguns dos melhores estilistas, designers e arquitetos do mundo hoje desenham as Melissas que as moças bonitas usam por aí: Alexandre Herschcovitch, Karim Hashid, Irmãos Campana, Judy Blame e Jay Mascrey entre outros. Para o começo do ano estão previstos lançamentos com a lendária estilista inglesa Vivienne Westwood (criadora do visual punk) e com a arquiteta Zaha Haddid, vencedora do Pritzker Prize 2007 (o mais importante prêmio da arquitetura mundial).
E da mesma maneira que o design da Melissa está se globalizando, a propaganda também está. Estou escrevendo esta coluna num estúdio fotográfico em Los Angeles, numa esquina do Santa Monica Boulevard. Estamos fotografando a campanha do inverno de 2008 da marca. A produtora da foto é Yasuko Austin, que produziu as famosas campanhas da Guess que lançaram Claudia Schiffer no fim dos anos 80, bem como as campanhas que lançaram a Diesel no cenário mundial. O diretor de arte é um brasileiro, Rodrigo Butori, radicado em Los Angeles, onde trabalha na TBWA/Chiat Day. O fotografo Zoren Gold é alemão, residente em Tóquio onde formou a dupla MiZo com a designer Minori Murakami. Ambos são responsáveis por inúmeros editoriais em revistas como Elle, Quest, Neo2, Ray Gun, Purple e Plastic.
Tudo isso seria inviável 10 anos atrás. Mas hoje, Farroupilha e Tóquio estão pertinho uma da outra. Aliás, estão lado a lado no meu navegador de Internet e no meu administrador de emails. Los Angeles está pertinho de São Paulo com meu Nextel: pago só R$ 2,50 por dia para falar pelo rádio com (aliás, alguém deveria fazer um propaganda disso correndo) assim como Porto Alegre está na minha escrivaninha, online o dia todo em videoconferência pelo Sype.
Meu amigo Alexandre Machado costumava dizer sobre os donos de agência: “Eles contratam meu cérebro, mas querem ver a minha bunda na cadeira aqui na agência.” Hoje, as agências antenadas podem contar com cérebros do mundo inteiro para aumentar o seu próprio talento. Para quem só pensa nas bundas só resta lamentar o fechamento do Bahamas.
Entradas do Novembro 2007
A Globalização à partir de Farroupilha
Novembro 30, 2007 · 1 Comentário
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War – versão carioca
Novembro 29, 2007 · 1 Comentário
Rio de Janeiro, dezembro de 2007.
Depois de décadas de abandono e desprezo por parte das autoridades, a cidade do Rio de Janeiro finalmente encontra-se em guerra. Enquanto os políticos discursam para uma classe média desinteressada, esquadrões de extermínio, grupos paramilitares, policiais e narcotraficantes disputam o controle da capital.
O cenário disfarça, mas a realidade não engana. Entrecortada por montanhas, florestas e lindas praias tropicais, o couro come nas ruas da cidade. Em alguma esquina do centro, na favela ou nas ruas do bairro, sorrateiramente o dinheiro troca de mão e a arma troca de lado.
os blindados tomam os guetos
e os milicianos controlam o gás,
o bacana aperta a mutuca
e o vagabundo trabalha em paz.
a piranha exerce tranqüila
a mais antiga profissão,
já deixou um galo pro cana,
no esquema do cafetão.
o bicheiro festeja o caixa
no orçamento do carnaval,
na cidade maravilhosa
só não falta é cara de pau.
Nesse tabuleiro sem regras é preciso sorte.
ESSE TEXTO Aí DE CIMA É DO SITE http://www.jogowarinrio.blogspot.com/
VOCÊ TEM QUE VER A VERSÃO CARIOCA DESSE POPULAR JOGO DE TABULEIRO. DICA DO QUERIDO AMIGO JOÃO VICENTE.
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Sun Tzu e a Arte da Guerra da Auto-ajuda
Novembro 22, 2007 · 1 Comentário
Toda vez que eu passo naquela livraria do Aeroporto de Congonhas eu tenho certeza de que estão de sacanagem com a minha cara. Fico embasbacado com a seleção à venda. A maioria dos livros é de um estilo que poderia se chamar auto-ajuda para executivos, mas que se você chamar de cocô mole não sou eu que vou discordar.
O mercado de livros de auto-ajuda para executivos é uma guerra. E nessa guerra as duas das maiores vítimas são Sun Tzu, o lendário general chinês autor de “A Arte da Guerra” e o próprio Nosso Senhor, Jesus Cristo.
Só o autor Gary Gagliardi, agride a memória de Sun Tzu com “Sun Tzu — A Arte da Guerra plus A Arte do Marketing” e ” Sun Tzu — A Arte da Guerra plus a Arte da Administração e Negócios.” Seguido de perto por Gerald A. Michaelson com “A Arte da Guerra para gerentes”, que sagazmente deixa espaço para próximos lançamentos como “A Arte da Guerra para Diretores” e o tão aguardado “A Arte da Guerra para secretárias bilíngues e tradutores juramentados”. Já Chin-Ning Chu entra com um ataque pelos flancos com “A Arte da Guerra para Mulheres”, título que me lembrou uma piada do Robin Williams que dizia que se as mulheres controlassem o mundo, não haveria mais guerras. Apenas negociações intensas a cada 28 dias. Nessa mesma toada, Lois P. Frankel vem com “Mulheres Boazinhas não enriquecem” e “Mulheres Ousadas chegam mais longe”, títulos com os quais todo mundo concorda e que por isso ninguém precisa ler.
Agora, na categoria “Usando o Nome do Senhor em Vão” temos Ken Blanchar e Phil Hodges com “Lidere como Jesus” e Laurie Beth Jones com “Jesus – O Maior Líder que Já existiu”. Imagino que o primeiro capítulo de ambos leve em conta a complexa questão da Santíssima Trindade. Se Deus é único, mas revelado em três Pessoas distintas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, me me parece perigoso tirar conclusões de liderança empresarial tendo só um dos três como foco. Ou pior, daqui a pouco vão escrever “A Arte de ser Multi-tarefas com a Santíssima Trindade”.
E temos o Dr. Thomas Anderson, que escreveu “Deus quer que você seja milionário”, que explica o processo de experimentar as bênçãos de Deus através de investimentos sensatos e do resultante crescimento de riqueza. O que nos leva a conclusão óbvia de que Deus gosta muito do multi bilionário americano Warren Buffet, pois ninguém jamais investiu de forma tão sensata e lucrou tanto. O problema é que Mary Buffet e David Clark já escreveram “O Tao de Warren Buffett”. Afinal, o velhinho ficou rico por causa do Tao ou foi Deus? Só Sun Tzu saberia responder.
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O teste da camiseta
Novembro 7, 2007 · 3 Comentários
Nas férias de primavera das faculdades americanas nada é mais popular do que o concurso da “Garota da camiseta molhada”. Como se sabe, uma camiseta molhada pode ser muito reveladora.
Já em marketing, uma camiseta seca resolve.
Porque uma boa medida de o quanto uma marca defende valores verdadeiros é ver se alguém topa usar esta marca estampada na sua própria camiseta.
Para as marcas de moda ou esportes, isso é muito comum. Afinal, as marcas de moda ajudam você a ficar mais atraente e as marcas de produtos esportivos, que promovem os valores da competitividade e auto-desenvolvimento — entre os quais a qualidade de “vestir a camisa” — obviamente também são bem aceitas.
Tem marcas que são tão boas no que se propõe a ser (e no que o consumidor acredita que elas sejam) que não só estampam camisetas, mas criam linhas de roupa de sucesso. É o caso da Victorinox Swiss Army. Conquistou o mundo com a qualidade e funcionalidade de seus famosos canivetes suíços. Depois migrou essa fama pra relógios, roupas e acessórios de viagem. Ou da Caterpillar, que a partir dos seus robustos e confiáveis tratores e escavadeiras, passou a assinar com sucesso uma linha de produtos como botas reforçadas, jeans e roupas para trabalho.
Por outro lado temos os bancos. Essa semana o Bradesco e o Itaú anunciaram lucros que são recordes históricos. Ou seja: ambos são excelentes no que fazem. Mas você usaria a camiseta de um deles? Como diria a Dona Elvira: “Nem a pau, Juvenal!” Aliás, vestir a camiseta do Bradesco é quase como atestar a própria derrocada financeira, um look que só pode ser pior por bolinhas de malabares. E o Itaú, com as propagandas tão pomposas e auto-referenciais? Você vestiria essa camiseta? Também não. Porque todo mundo sabe que os bancos são usurários e ninguém gosta de usurários (por isso que a usura é um pecado capital). São caríssimos, nos atendem muito mal (até o McDonald’s tem menos fila) e falam tudo da boca pra fora.
Isso é falta de planejamento de marketing de longo prazo. Usam a teoria dos jogos para maximizar o lucro (nenhum deles abaixa as taxas e tarifas e assim todos ganham mais) mas não para fortalecer sua ligação pessoal com quem alimenta seus filhos: nós, os consumidores.
No dia em que um grande banco de varejo entender que a melhor propaganda é oferecer benefícios e vantagens verdadeiras ao consumidor e não apenas expor a marca com o velho blá-blá-blá de sempre, pelo menos uma pessoa ia usar a camiseta dele: eu.
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Cut and paste power
Novembro 7, 2007 · Deixe um comentário
Mais uma incrível dica da minha irmã Renatinha: este vídeo onde um editor de vídeo que não sabe tocar nada gravou e editou ele mesmo tocando as peças de bateria e acordes de piano separadamente e montou um som chocante só com edição. Dizem que tem um do Michel Gondry parecido, mas eu não vi. Olha aí:
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Paris nunca foi tão linda
Novembro 7, 2007 · 3 Comentários
Fui renovar meu visto americano esta semana. Me senti um tanto exposto. Como um cara que vai na casa dos pais da namorada pela primeira vez levando o potinho do exame de fezes ainda quentinho nas mãos. Olha a lista de documentos que os caras pedem. É muita intimidade:
DOCUMENTAÇÃO BÁSICA PARA TODOS OS SOLICITANTES:
.Comprovante de agendamento de entrevista
.Taxa consular de solicitação de visto recolhida em qualquer agência Citibank
.Passaporte atual com validade mínima de 07meses (para entrar nos E.U.A o passaporte deverá estar com validade mínima de 06 meses).
.Passaporte anterior vencido (todos que possuir).
.01 formulário modelo DS-156 totalmente preenchido eletronicamente ( E-form), disponível neste site.
.01 formulário complementar modelo DS-157 totalmente preenchido (para todos os solicitantes à partir de 16 anos)
.01 foto 5 X 5 cm , recente (máximo 06 meses/fundo branco, sem óculos).
.Passaporte de suporte original (parentes ou amigos que estejam viajando com o solicitante e já possuam visto Americano válido).
.Passaportes Originais com visto válido de parentes em primeiro grau (pai/mãe/irmão/esposo(a)/filhos)mesmo que não estejam viajando com o requerente mas que já possuam visto valido).
.Extratos bancários atualizados ref. 03 últimos meses (Conta corrente/ poupança/ investimentos/ fundos).
.Declaração de Imposto de Renda Completa com Recibo de Entrega Original, do último exercício
.Registro de Imóveis ou Escrituras de imóveis ( se possuir).
.Certificado de Registro de Veículo do solicitante ou da família-pais/esposo(a).
. se empregado acrescentar: 03 últimos holerites + carteira de trabalho original atualizada
.se empregador acrescentar: 03 últimos pró-labores + contrato social e última alteração contratual + CNPJ + I.R. pessoa jurídica completo.
. se autônomo acrescentar: declaração da empresa em papel timbrado informando que o passageiro presta serviços, incluindo dados da função, período e valor recebido mensalmente + declaração do contador informando os três últimos rendimentos + cópia da carteira funcional (CRM,OAB,CRC,CREA,se possuir)+ contrato de prestação de serviços.
. se aposentado/pensionista acrescentar: 03 últimos contra-cheques de aposentadoria e/ou pensão.
. se proprietários de imóveis acrescentar:contrato de aluguel + recibos dos três últimos meses
. Estudantes menores/dependentes: documentos de renda dos pais + comprovante escolar ( decl. escolar e/ou 03 últimos comprovantes de pgto)
. Estudantes maiores: documentos de renda próprios, se possuir e dos pais + declaração de suporte financeiro do pais + comprovante escolar ( decl. escolar e/ou 03 últimos comprovantes de pgto)
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