Parece que o dono da Band esperneou e o prefeito arregou. O Metro continua. Weeeeebaaa.
Entradas do Outubro 2007
Merda e Bosta em batalha judicial: Merda acusou bosta de ser Serra e Bosta chamou merda de Kassab.
Outubro 27, 2007 · 2 Comentários
Políticos são como ratos famintos. Mas sem todo aquele caráter e toda aquela dignidade.
Que nome se dá a um navio com 5 mil políticos no fundo do mar? Um bom começo.
Dizem que políticos são todos criminosos. Uma tremenda injustiça contra os criminosos.
O inferno dos políticos é terrível. Lá eles tem de trabalhar.
Se a sua mãe trabalha na zona do baixo metrício, sempre algum há consolo em pensar que tem gente que é filho de político.
Porque é que as balas perdidas não conesguem atingir os políticos? Porque aí elas não seriam mais balas perdidas. Seriam balas muito bem utilizadas.
Ufa! Só pra desestressar um pouco da notícia abaixo, enviada pelo meu amigo André Galhardo e pescada no site do Paulo Henrique Amorim. Pô é só eu arrumar uma boquinha escrevendo num jornal que eu adoro (o Metro) que já vem uma sacagem.
Os dois grandes jornais vão pro saco. Como as grandes gravadoras vão pro saco. Não é culpa deles. É como o telegrama: seu tempo passou. Mas o pior problema de ter um jornal gratuíto bom como o Metro é que se ele for ruím ninguém pega. E pra ser bom ele tem de falar a verdade. E falar a verdade não interessa a político nenhum. Porque o negócio dos políticos é roubar mentindo. A grande amizade do falecido Seu Frias dono de rodoviária, granja e da Folha de S. Paulo com José Sarney ou a tradicional posição pelega do Estadão que “esqueceu” de cobrir a campanha pelas Diretas, são apenas alguns exemplos. Para corromper é preciso concentrar os eixos de poder. A democratização dos meios de comunicação fere ardorosamente o reto dos políticos de todo o mundo.
Ou você acha que se algum fela-da-putcha te oferecesse o jornalzinho grátis do Democratas ou do PSDP você esticaria a mão para pegar? Claro que não. Apenas acenaria de forma simpática e diria “Obrigado, mas eu sou higiênico.”
Político não gera riqueza, só rouba a que riqueza os outros geram. Até quando a única riqueza se chama verdade.
Tô chatíssimo, né? Desculpe.
Lê aí:
SERRA E KASSAB CENSURAM A IMPRENSA
. Serra/Kassab baixaram uma lei que diz:
. Os jornais gratuitos só podem existir se:
- tiverem 80% de material jornalístico (e, portanto, apenas 20% de publicidade);
. Para começo de conversa, vamos ao ponto: grana.
. Isso é maior do que a circulação diária da Folha e do Estadão, por dia, na cidade de São Paulo.
. E quem disse que Serra/Kassab substituem a Lei de Imprensa ?
. E por que 80% ? Por que não 83,77% ? Ou 75,999999999999 % ?
. Que ciência fixou esse critério ?
. E quem disse que publicidade não é informação ?
. E se o presidente eleito quiser vender o “Aero Serra” ? – vai anunciar onde ?
. Por que não num jornal gratuito ?
http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/462501-463000/462765/462765_1.html
Categorias: Uncategorized
O Double Nelson Voador Goforitizado
Outubro 24, 2007 · 10 Comentários
O Duble Nelson Voador era o mais temido golpe do Telecatch, a luta-livre brasileira dos anos 70. É certo que, naquela época, a luta-livre estava mais pra cirquinho do que pra banho de sangue. Muitas vezes assisti delirando os confrontos entre Ted Boy Marino, Fantomas, King Kong e Konguinho, Verdugo e tantos outros guerreiros fantasiados. E tome Double Nelson Voador na idéia.
Já “Goforitizado” é uma expressão que meu amigo, o DJ Rafael Urenha, ouviu numa conversa entre dois skatistas de12 anos. Um virou pro outro e disse: “Cara, hoje eu tô totalmente goforitizado”. Tendo passado minha adolescencia inteira goforitizado sobre um skate, posso traduzir pra você. “Go for it” é uma expressão em inglês usada nos esportes de ação (especialmente no surf e no skate) para indicar a atitude de se jogar pra dentro do obstáculo. A tendência natural do ser humano é de se apoiar na perna de trás, evitando o perigo. Só que pra entrar numa onda ou numa rampa, você tem de fazer o contrário, se jogar com força, se apoiado na perna da frente. O molequinho sentiu que aquele dia estava pronto pra enfrentar qualquer obstáculo, se jogando pra cima sem medo. Estava incorporando o espírito do “Go for it”, ou na sua língua, “goforitizado“.
Tudo isso pra contar pra você que essa semana eu fiz algo muito estranho: larguei meu emprego na DPZ (uma baita agência) e abri meu próprio negócio. Minha agência se chama Casa Darwin, em homenagem à Charles Darwin, o homem que teve uma das maiores idéias de todos os tempos: a teoria da evolução por seleção natural.
E as forças de seleção natural do Brasil tentaram exterminar a nascente Casa Darwin desde o princípio. Um contrato se extraviou durante 20 dias na greve dos Correios. A Receita Federal, em greve também, atrasará a entrega do CNPJ (o CPF das empresas) em 40 dias. Um sujeito me ofereceu um serviço dizendo que por R$ 800,00 o prazo de entrega na Receita diminuia pra 3 dias. Mandei ele pastar da forma mais deselegante que consegui conjuminar. Diversos sindicatos falsos mandaram cobranças falsas para tentar cobrar dinheiros indevidos. Aliás não há um único motivo ou incentivo para se abrir um negócio no Brasil. O governo só atrapalha. O mercado é selvagem. A competição é brutal.
Mas como disse Clarice Lispector — “Tudo no mundo começou com um Sim. Uma molécula disse Sim para outra molécula e assim surgiu a vida. Mas antes da pré-história houve a pré-história da pré-história e havia o nada e havia o sim.”
Então eu digo SIM. Porque ninguém vai fazer pra mim uma empresa legal, feliz, guerreira e honesta como eu sonho. Um empresa menos gananciosa: mais cooperativa e colaborativa. Uma empresa que tem foco no lucro. Mas que mais do que foco tem os olhos vidrados na felicidade e nas coisas que nos levam mais perto dela.
Que venham então os desafios, os golpes, os impostos injustos, os fiscais corruptos, os mercenários, os advogados, os embusteiros e os incrédulos. Venham sentir a força do meu Double Nelson Voador Goforitizado.
E aproveito pra agradecer o Márcio Cócaro, que surgiu da neblina, com a faca na boca e o sangue nos olhos me convenceu a voltar a ser um bucaneiro em busca do tesouro perdido
Categorias: Uncategorized
O dia em que o Djou blogou.
Outubro 19, 2007 · 1 Comentário
Primeiro foram as roupas que ficaram esquisitas. Depois, os cabelos assimétricos. Agora meu grande Amigo André Godoi fez um blog genial. A fama será incontornável. Vai lá: http://andregodoi.wordpress.com/
Categorias: Uncategorized
A raíz vem antes das flores.
Outubro 18, 2007 · 1 Comentário
Quando eu tinha 24 anos, larguei meu primeiro bom emprego pra cair no rock. Não no rock propriamente dito, mas num misto de jazz-rap-hip-hop-soul-funk-heavy-metal-samba-e-o-escambau que era o som que o Professor Antena, a minha banda, fazia.
Entre 1993 e 1994, todas as bandas e artistas que vieram a ser conhecidos como a geração 90 estavam começando a botar a cabecinha pra fora do circuíto underground. O Skank e o Gabriel, o Pensador, começavam a tocar no rádio e davam esperança a todos nós.
Naquele ano, fiz muitos novos amigos como o Samuel Rosa do Skank, o Fred do Raimundos, o Chico Science, o Yuka do Rappa a galera do Pato Fu, o Leleo da Banda Bel, entre muitos outros.
O fator que nos uniu, no entanto não foi musical, pois cada um tinha o seu próprio som. Um diferente do outro. Quem nos uniu foi o português. Não o Manuel ou o Joaquim. A língua pátria mesmo.
Olha que engraçado: quando a galera de uma banda encontrava outra sempre rolava a pergunta: “E aí, vocês cantam em inglês ou português?” Porque quem cantava em português era minoria. Culpa do Sepultura, que no hiato entre a geração 80 e 90 do rock nacional,
gravou seu metal poderoso em inglês e ganhou o mundo. Cantar em português naquela época estava fora de moda.
“Ah, mas em inglês fica muito melhor,” me diziam. “Não fica não. Só é mais difícil perceber como as letras são ruíns,” eu respondia. “Cocô coberto de chantilly é cocô do mesmo jeito.”
E por cantarmos em português tinhamos que caprichar mais nas letras (afinal, todo mundo entendia). Tinhamos de procurar a música que casasse com a prosódia da língua (que naturalmente tinha raízes brasileiras) e foi assim que uma minoria se tornou culturalmente dominante. O Skank com seu baião-calango-dancehall, os Raimundos com seu genial Forró-core, o Rappa com sua fusão Brasil-Jamaica, Chico Science e a Nação Zumbi com o maracatu-hip-hop e assim por diante. A música do mundo vista como os óculos do Brasil.
É isso que eu não enxergo nas bandas de hoje em dia. O que eu ouço no rádio e vejo na MTV são paródias pobrinhas de vestimentas, atitudes e músicas feitas em outros lugares, para outras pessoas com outras vidas. O que eu espero de um artista é que ele se apresente inteiro: com tanto medo quanto coragem, com tanta raíz quanto flores.
De todos os nomes que eu citei, só eu e o Leleo não conquistamos a fama. Mas pelo menos nunca abandonamos nossa raíz. A pior combinação que existe é a da fama com a desimportância. E a música que essa combinação gera.
Categorias: Uncategorized
GRAVE. Este é o nome.
Outubro 16, 2007 · 1 Comentário
Minha irmã Renata tem o maior bom gosto pra música que eu já vi. Ela entende muito de música e está sempre bem informada. Esta semana ela entregou uma das suas fontes de informação privilegiada. E eu entrego pra você: é um blog chamado GRAVE. Muito bom.
Categorias: Uncategorized
A Lund que sumiu de “Tropa de Elite”.
Outubro 16, 2007 · 3 Comentários
Se você ainda não viu “Tropa de Elite”, NÃO leia este post.
Assisti ao piratão e ao oficialzão. Adorei os dois, mas recomendo o oficialzão. Só que pintou uma dúvida: no piratão a estudante que leva a pior no alto do morro se chama Roberta LUND, numa clara referência à Katia Lund, que co-dirigiu um monte de coisas bacanas entre elas “Cidade de Deus”. Anos atrás, lendo o livro “Abusado”, do Caco Barcellos, que conta a história do traficante Marcinho V.P., percebi, mesmo com o Caco disfarçando, que a estudante que o Marcinho namorara longamente no livro e na vida real era a Katia Lund. Não sei se isso é verdade, mas já tive esta opinião muitas vezes confirmada por outras fontes tão duvidosas quanto eu. E nas entrevistas dela sempre pinta o eufemismo “amizade” para a sua relação com o V.P.
Agora, o que será que ela fez pro diretor José Padilha botar uma personagem com o nome dela pra levar azeitona na cachola? Faz pensar.
E porque colocar o sobrenome dela no piratão e depois tirar no oficialzão. Faltou macheza? Era só pegadnha? Os advogados da família Lund são muito bons? Na verdade é uma piada entre eles e nós estamos boiando?
Alguém aí deve saber alguma coisa.
Categorias: Uncategorized
Mas eu te disse, eu te disse, eu te disse…
Outubro 15, 2007 · Deixe um comentário
Meses atrás, falei aqui da falta de critério da Unilever em relação às gostosas de Axe e as barangas de Dove. Agora tem mais gente reclamando. Dica do amigo Alexandre Grynberg, da querida Hello Interactive, pescada no BlueBus. Segue a nota:
“Unilever acusada de hipocrisia por campanhas conflitantes de Dove e Axe 08:46 O grupo Campaign for a Commercial-Free Childhood começou nos EUA uma cruzada contra a Unilever, que acusa de hipocrisia por conta dos posicionamentos de duas de suas marcas – Dove e Axe. Diz que enquanto a Ogilvy toca a campanha ‘Real Beauty’, estimulando as consumidoras a desenvolverem a auto estima, a BBH trabalha a marca Axe atraves de uma visao machista e degradante da mulher. As campanhas de Axe giram em torno da ideia de que as mulheres nao resistem aos homens que usam o produto, anteriores em Busca. A Dove estreou no inicio do mês comercial em que critica a avalanche de informaçao despejada sobre as meninas atraves da midia, criando um padrao de beleza feminina irreal, anterior aqui. O grupo ameaça a Unilever dizendo que se o marketing de Axe nao mudar, tentará impedir as açoes da Dove em escolas, onde a marca realiza workshops para ensinar as jovens a lidarem melhor com a imagem que fazem de si mesmas. Noticia da Adweek, em inglês, aqui. 15/10 Elisa Araujo”
Categorias: Uncategorized
As sextas que viraram quintas.
Outubro 11, 2007 · 7 Comentários
Eu decidi ganhar a vida escrevendo na 7º série. Escrevendo que eu virei gente, literalmente. Em 1982, eu não era gente. Eu era um cotonete. E não era fácil ser um cotonete no meio da juventude dourada que frequentava o glorioso Colégio Santo Agostinho, no Leblon, Rio de Janeiro onde eu morava na época.
Até a 4º série, eu até que tinha sido gente. Não só gente, como gente alta. Só que, na 5º e na 6º séries, todo mundo ficou mais alto e mais forte e mais bronzeado. E eu continuei magro e baixo e com fama de CDF. Junte-se a isso o fato de que naquele ano o Santo Agostinho, até então um colégio exclusivamente masculino, passou a aceitar alunas (do gênero cocotinha).
Éramos 5 gostosas e 35 bigodinhos de 14 anos. Na saída do colégio, quem buscava as meninas eram os namorados, de 18 anos, com suas Paratis com as asas-delta em cima. Quem me buscava era o ônibus 174 — que mais tarde se notabilizou por conta de um seqüestro que terminou em tragédia e de um documentário que terminou em “Tropa de Elite”.
A introdução dos espécimes femininos transformou a pacata vida da turma 7º D numa agressiva luta pela sobrevivência social. Com minha aparência de cotonete, fama de CDF, fui parar nos baixos escalões da cadeia alimentar, junto com os protozoários. Até que a Professora Regina, titular das aulas de português, resolveu que toda sexta-feira haveria leitura de redações em voz alta na sala de aula.
Eu, como bactéria amorfa e CDF, fui logo intimado pela professora a ler uma redação na frente de toda a turma logo na primeira sexta-feira.
Dias depois, com minha crônica numa folha de papel rasgada do caderno, segui pelo corredor entre as carteiras com os passos retos de um mártir. Representava ali todos os sem-bigode, os sem asa-delta, os que falavam “oi” mas ninguém respondia, os feinhos, os cariados, bafudos e os sem-popularidade.
E qual não foi minha surpresa quando a galera, ao invés de me matar a pauladas, como eu havia previsto, começou a rir durante a leitura. Eles riam muito. Riam sem parar.
Na segunda feira seguinte, as duas Marianas, as mulheres mais homenageadas de toda uma geração carioca, fizeram algo que eu não esperava. Quando eu disse “Oi” elas responderam. Não deram beijinhos. Tive de ler mais umas 5 redações pra ser cumprimentado com beijinhos. E até o fim daquele ano, toda sexta-feira, eu tinha sempre uma crônica nova, pronta para ser lida em voz alta ao primeiro chamado.
As sextas-feiras de então se tornaram as quinta-feiras do Metro. Ganho a vida escrevendo. Até porque, sem escrever, não tenho vida.
Categorias: Uncategorized