Pop Prop

Entradas do Setembro 2007

Terceirização: a solução para seus problemas de personalidade.

Setembro 27, 2007 · 2 Comentários

Um certo dia, não muito tempo atrás, surgiu o primeiro personal trainer. E junto com ele a idéia da terceirização das qualidades pessoais. Ao elogiar o material de uma nova namorada você pode ouvir: “Ah, essa bunda aqui não é coisa minha, não. É o resultado do trabalho e da dedicação do Richardley, meu personal trainer! Eu só carrego ela.” Nada contra os personal trainers, que realmente deixam as pessoas mais saudáveis e são profissionais sérios. O problema é mais embaixo.

A terceirização de qualidades pessoais é a idéia de que para se melhorar você não precisa de esforço pessoal, disciplina ou responsabilidade. Precisa só de dinheiro. Hoje, você pode contratar um personal trainer pra cuidar do seu corpo, uma personal stylist pra montar seu guarda-roupa, um personal decorator pra decorar a sua casa ou um personal dog-walker pra sair pra passear com seu cachorro. Mas o que me deixou nervoso mesmo foram dois novos terceirizadores de personalidade.
Primeiro, o personal friend, que segundo me explicaram é alguém que você paga pra ser seu amigo. O personal friend se interessa por seus assuntos de trabalho, seus hobbies e suas manias. Está sempre lá pra dar uma força e pode até lhe dar uns toques. Aliás, não fosse pelo boleto no fim do mês, ele bem que poderia ser seu amigo. O outro é o personal iPoder, o profissional que mantém o seu iPod sempre cheio de músicas atualizadas e que pegam bem.

Novamente, nada contra qualquer um que tente ganhar a vida honestamente prestando serviços. Aliás, tudo a favor. Mas eu pergunto, onde isso vai parar? No personal fucker que transa por você? “Aê, nem te conto, mandei meu personal fucker pro motel com a Duda lá do trabalho.” No personal voter, que vota pra você? “Ah! esse Congresso está um horror, supercorrupto, vou despedir meu personal voter.” No personal meeter, que vai nas reuniões que você não quer ir? “Rapaz o meu personal meeter fechou um baita negócio!” Na personal sufferer? Que vai sofrer no lugar das mulheres, seja na separação ou na depilação. Ou no personal reader, seu leitor pessoal? “Tô superfeliz, meu personal reader acabou de ler Guerra e Paz e eu já passei pra ele Os Sertões.”

Se isso realmente acontecer eu vou ter que contratar um personal writer, que vai escrever as colunas pra mim além de ter as opiniões que eu gostaria de ter. Com um pouco de sorte, o seu personal reader vai ler e vai concordar por você. E assim ninguém —nem eu nem você —terá e arcar com o peso de viver sua própria biografia.

Categorias: Uncategorized

As vantagens da globalização da roubalheira

Setembro 20, 2007 · 2 Comentários

Estou muito preocupado com o problema do crime organizado.
O crescente avanço dos políticos brasileiros sobre mais este setor da economia pode paralizar o país. Como diz o meu amigo Kleber Fonseca, “Todo imposto já é uma mão no seu bolso. A CPMF é um pé no seu bolso, porque é imposto sobre imposto.” Por medida preventiva eu passei a andar sempre com as duas mãos para cima e pronto pra não reagir, porque os especialistas garantem que reagir não é seguro. Logo, o brasileiro não vai mais precisar de passaporte para viajar. Bastará tirar os bolsos pra fora da calça, mostrando-os vazios, para obter reconhecimento imediato dos fiscais aduaneiros do exterior.

Tanto que a sanha gananciosa dos nossos políticos tem sido motivo de tensas videoconferências em Presidente Bernardes. A cúpula do crime tem sido flagrada em escutas telefônicas, entre uma sessão de shiatsu e um um filme de sacanagem no pay-per-view, em conversas como esta:

— Porra, Bagulhão! É concorrência desleal! Como é que os próprios caras que roubam a gente vão votar numa reforma política contra a roubalheira? A gente tá ferrado.

— Bom, eles pelo menos ajudaram a gente arrancando da pauta de votação a MP das armas de fogo e da muamba Paraguaia, que podiam afetar nossa receita.

É sabido que os políticos do mundo todo não devem ficar a sós com as bolsas na sala. Mas no Brasil, a coisa realmente está passando dos limites. Tanto que bicheiros, traficantes, assaltantes de carro-forte, contrabandistas de armas e donos de butiques de alto luxo já pensam em formar uma entidade para defender seus direitos: o CONARCO — Conselho Nacional de Regulamentação do Crime Organizado — que vai pleitear junto a organismos regulatórios internacionais a equiparação das taxas de criminalidade brasileira aos padrões internacionais.

O que vai ser muito ruim para alguns setores como a grilagem de terras, a sonegação fiscal e o crescente agronegócio dos ranários, mas que pode ser muito bom para nós, cidadãos brasileiros. A internacionalização pode trazer idéias inovadoras como a separação definitiva das polícias e dos ladrões, o tabelamento dos valores de compra de sentenças no judiciário e até a tecnologia do sequestro-relâmpago pela Internet.

Sistemas como esse, já implantados em países como os EUA, acabam obrigando governos excessivamente ladrões a terem de invadir países menores, como o Iraque, pra poder roubar mais. Mas, se eu conheço os políticos brasileiros, o primeiro país pequeno que eles vão querer invadir é a Suíça.

Categorias: Uncategorized

Campeonato de respostinha

Setembro 16, 2007 · 8 Comentários

No post anterior, por sorte, contei com a sabedoria do estagiário de Prêmio Nobel de Filosofia Kleber Fonseca para relembrar o valoroso bordão: Tá nervoso? Vai morder seu pai na bunda.

Minutos depois lembrei do também agradável: Tá nervoso? Arranca as calças e pula em cima.

Alguém aí lembra de outras respostinhas pra aqueles que se esquentam sem motivo?

Vamos disseminar mais este importante elemento da cultura humana. Por favor, contribua.

Categorias: Uncategorized

O Estagiário que brilhou

Setembro 15, 2007 · 5 Comentários

É sempre legal ver um estagiário brilhando. Todo mundo que trabalha no departamento de criação em agências de publicidade passou por isso e é uma experiência tão dolorosa quanto gratificante.
Mas o estagiário que mais brilhou ultimamente na minha vida foi o que eu incluí no último post, que fala de questões bem mais interessantes. Estou fascinado com o número de pessoas que ao invés de prestar atenção no assunto principal, ficaram putos nas calças com a piada que eu fiz: “Não preciso dizer que ele continua estagiário.” Que aliás é a citação de um anúncio muito bom da revista The Economist que reproduzo abaixo. Pra você ter uma idéia do tipo de pessoa doce e sensata que me escreveu, também reproduzo a seguir um de meus primeiros “hate-mails”, fato que é muito emocionante na vida de um estagiário de colunista como eu. Não sei não mas acho que o cara realmente não gostou de mim, me rebaixando de Leão a Lobo (que não deixa de ser um estagiário de Leão). Por questão de educação, que eu trouxe de casa, não incluo o nome do psico.

Como diz meu amigo e estagiário de Prêmio Nobel de Filosofia Kleber Fonseca: Tá nervoso? Vai morder seu pai na bunda.

spoof2_25.jpg

 

Segue o e-mail do amigão. O título era: Inadimissível.

“Boa Tarde Srs,

Desde que peguei o Metro nesta manhã dia 13/09 fiquei pensando na palavra do título do Email.

Apesar dela poder ser usada em vários dos assuntos do Jornal, de Renan Calheiros à Felipão, passando pela Bomba da Rússia.

Acho que ela se encaixa melhor no texto discriminatório e infeliz do Sr Rodrigo Lobo.

A frase: “Não preciso dizer que ele continua estagiário” é arrogante, descriminatória e de muita insensibilidade!

Sua descrição no rodapé do texto de músico, jornalista e escritor talvez, em sua cabeça, lhe confira o direito de desfazer de pessoas em começo de carreira, que em muitos casos, além de executarem tarefas importantes dentro de empresas, se tornam grandes empresários após seus estágios.

Importante, na minha opinião, destacar 02 coisas:

- Besteiras são ditas por qualquer pessoa, independente de sua posição social e cargo ou função.

- O ser humano vem antes de sua posição na sociedade.

Portanto, se o Músico, Escritor e Jornalista, se acha na condição de desdenhar de alguém, deveria, antes de mais nada, olhar este estagiário como um ser humano, e, perceber, que incorreu num grande erro ao publicar num Jornal Grátis, Curtinho e Legal, suas opiniões equivocadas.

Fazendo assim, agiu como o próprio estagiário, falando uma grande bobagem.

E, seguindo sua “lógica”, com desvantagem. Porque o Colunista “já” tem 03 títulos, enquanto o “ainda estagiário” é só um estagiário..

Me parece, infelizmente, que isto é reflexo de tudo que vivemos: Falta de valores, desrespeito e descriminação.

Muito fácil acusar o governo, mas porque não fazemos diferente no nosso dia-a-dia?? É inadimissível!

Em se tratando de uma pessoa que, espero, não se enquadre no mesmo perfil da maioria daqueles que se acham acima do bem e do mal, sugiro, que escreva algumas linhas em sua próxima coluna sobre o erro que incorreu, bem como valores morais. O que acham?

Na esperança, que o Ser-Humano prevaleça sobre interesses diversos, Parabenizo pela Publicação!

Categorias: Uncategorized

A dura vida dos manipuladores de mente.

Setembro 13, 2007 · 6 Comentários

atgaaadkhulwzi5mco3s7dvcbkxoogrxgxm2qgjsv_omyx7hftbhifuxdusdyp2f7hderyeitdlkrgmbns6ldjqsvdfeajtu9vd1swprs3xhqxidhxqobrqlobfyya.jpgExiste uma percepção equivocada de grande parte do público sobre o quanto a propaganda é poderosa e mentirosa. Já cheguei a ouvir de um estágiario a seguinte frase: “O nosso trabalho é manipular a mente das pessoas pra elas consumirem coisas que não precisam”. Tadinho. Se eu soubesse manipular a mente dos meus cachorros, a Zelda e o Bacana, já me daria por satisfeito. E se eu pudesse manipular a sua mente, caro leitor, certamente eu incluiria o número da minha conta no banco para depósitos no fim da coluna. Não preciso dizer que ele continua estagiário.

O fato é que a propaganda não é nem tão poderosa nem tão mentirosa quanto os desavisados acreditam. E a tendência é que ela seja cada vez menos poderosa e menos mentirosa.

Primeiro, porque o excesso de meios disponíveis hoje desvaloriza as mensagens, como o excesso de dinheiro na praça desvaloriza a moeda. A vida toda virou suporte para propaganda. Tem publicidade no meio do telejornalismo (como a marca de lentes na previsão do tempo na Rede TV!), nas capas de revista (antigamente a ética jornalistica não permitia isso), nos filmes (como o caso da FedEx em “O Náufrago”), no pôster sobre o mictório na boate, nas telas de plasma nos botecos e ônibus, nas corridas de avião na Baía de Guanabara e até na pele de atletas tatuados com o símbolo da Nike. A sanha do marketing ocupou todos os espaços imagináveis. O resultado é que temos uma geração que está ficando “imunizada” às mensagens. Quando 3 músicas tocam ao mesmo tempo ninguém mais presta atenção pois isso e passa a ser ruído. Assim, a propaganda se torna cada vez menos poderosa.

Segundo porque o acesso às fontes de informação (quantidade de emissores disponível) e à troca de informações (as muitas maneiras que os consumidores têm de trocar informações entre si) estão tornando a propaganda cada vez menos mentirosa. Não por ética, mas por necessidade de sobrevivência. Hoje, depois de ver um anúncio de um depilador elétrico, um transformista pode buscar na Internet as avaliações de produto de outros usuários e ver se a promessa publicitária se cumpre. Quem já comprou qualquer coisa na Internet sabe o quanto as opiniões dos outros consumidores ajudam na hora de definir a compra.

Esse cenário está levando anunciantes, agências e veículos a se sacudirem para não perder o trem da história. Prova disso é essa edição do Publi Metro que está na sua mão. Quando foi que você imaginou que um jornal podia ser grátis, curtinho, e tão legal?

Categorias: Uncategorized

O mapa da música pop brasileira

Setembro 10, 2007 · Deixe um comentário

A música pop brasileira é complicada. Mas com esse mapa fica mais fácil.

Já aviso que as opiniões representadas nessa pérola cartográfica não representam as opiniões deste bolg.

Mas que a gente rachou o bico de rir, ah, isso a gente rachou.

Parabéns pro blog Ressaca Moral, que mapeou o fenômeno.

Categorias: Uncategorized

Cê sabe falar inglês? Fala aí.

Setembro 10, 2007 · 3 Comentários

Quando eu era pequeno eu sabia falar inglês. Então, toda vez que a minha família viajava pro interior de São Paulo pra visitar os parentes acontecia uma situação constrangedora. Eu me via cercado de adultos e alguém falava: “Cê fala inglês? Fala inglês aí.” E eu ficava com aquela cara de picolé. “Mas falar o que?” eu respondia. “Sei lá, cê que fala inglês, fala inglês aí.”

A culpa é do meu pai. Quando eu tinha três anos ele trabalhava numa multinacional e ganhou como prêmio da empresa uma viagem pra Disney. Quando ele voltou com as fotos e os presentes eu não não tive dúvidas. Ir para a Disney tornou-se o único objetivo de minha pequena mente doentia. Meu pai, que não era bobo, disse: “Não dá pra você ir pra Disney filhote, porque lá o pessoal só fala inglês e você não ia entender nada.” O tiro saiu pela culatra. A partir de então eu só dei sossego quando, aos quatro anos, me matricularam na Cultura Inglesa, no Posto 6 em Copacabana, que na época tinha maternal, jardim e pré-primário (hoje conhecidos com o Ensino Fundamental). Com 6 anos eu falava inglês.

Aí meu pai teve de inventar outra desculpa. Ir pra Disney naquela época era um sonho impossível para quase todas as famílias de classe média, inclusive a minha. Após explicar que com o seu salário não dava pra chegar na Disney, no máximo chegaríamos na Cidade das Crianças, meu pai emplacou essa: “Fica tranqüilo que eu estou guardando o Fundo 147 pra nossa viagem. Assim que tiver dinheiro suficiente a gente vai.”

Durante muitos anos eu rezei todas as noites por uma gestão proba e lucrativa do Fundo 147. Dez anos depois, quando meu pai conseguiu economizar a grana pra viagem, o Fundo 147 não existia mais. Descobri ali que para ser pai é preciso entrar no jogo sujo da informação e contra-informação.

As situações constrangedoras, no entanto, não passaram. Toda vez que eu sento numa mesa de bar e alguém fala “ele é criativo” (querendo dizer eu trabalho no departamento de criação de uma agência) a sensação é exatamente a mesma de quando eu era pequeno. De imediato todos na mesa olham pra minha cara e esperam que eu diga algo que justifique aquela credencial. Eu já pensei em preparar umas piadas (“Criativo é meu pai que me criou”). Pensei em explicar que na verdade a profissão de criativo publicitário é apenas a especialidade em adequar a mensagem do anunciante para que o consumidor possa apreciá-la e valorizá-la, e até já pensei em fingir desmaios. Normalmente, eu fico com aquela cara de picolé.

Categorias: Uncategorized